Viva o povo Nordestino
Um dos pontos interessantes do filme é mostrar como Recife é bonito. Pena é ter inchado de repente, com seus bairros pobres proliferando .......
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A vitória de Agente Secreto foi a vitória do Nordeste. O PL e os demais derrotados nas eleições presidenciais costumam dizer que Lula só ganha nos "bolsões da ignorância."
Não gosto desses assuntos, mas é só lembrar que Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto e Marcus Accioly achavam Castro Alves o maior poeta brasileiro de todos os tempos. Que o Nordeste é a terra do próprio Manuel Bandeira, Joaquim Nabuco, Celso Furtado, Josué de Castro e Paulo Freire. De Joaquim Cardoso, José Lins do Rego e Graciliano Ramos. De Jorge Amado, o grande escritor brasileiro do século XX, Gregório de Matos, o lendário Boca do Inferno, e João Ubaldo Ribeiro.
Agente Secreto é, sobretudo, a vitória da democracia, ao denunciar e relembrar os anos amargos e de chumbo da redentora, coisa muito importante para as gerações novas, novíssimas, moços, rapazes e estudantes que nada ou quase nada sabem daqueles tempos sombrios, que prendiam arbitrariamente, torturando e matando.
Um dos pontos interessantes do filme é mostrar como Recife é bonito. Pena é ter inchado de repente, com seus bairros pobres proliferando em mangues, morros e alagados. Quando cheguei aqui, em 1952, Recife era considerada a terceira cidade do Brasil, em densidade demográfica, à frente de todas capitais regionais, como São Luís, Natal, Fortaleza, João Pessoa, Salvador, Maceió e Aracaju. A mais bem iluminada, limpa, de melhor serviço de ônibus, a Pernambuco Autoviária de Vivi Menezes com ônibus automáticos, luxuosos e confortáveis. Bons cinemas
(São Luiz, Moderno, Arte Palácio e Trianon), onde só se entrava de paletó, que respeito é bom e eu gosto. A rua Nova, chique, nela desfilando automóveis de "capota arriada" e as mulheres faziam compras bem-vestidas, com joias caras e autênticas, sem serem roubadas ou assaltadas, sendo a loja Sloper o ponto da paquera.
Pena também Alex não estar vivo para comentar esse filme extraordinário de Kleber Mendonça Filho e Wagner Moura que tanto eleva a cultura recifense, nordestina e brasileira, com pseudônimo Ralph no Jornal do Commercio pelos anos 40/50/60.
Kleber não podia registrar esses lances todos acima descritos. Naquela época os cinemas do centro comercial da cidade lotavam nos feriados, dias santos, sábados e domingos. Antes de 64, o Recife era feliz e não sabia.
Arthur Carvalho, da Associação da Imprensa de Pernambuco - AIP