Três Academias, um legado
Na APL, ocupo a Cadeira 35, antes pertencente ao escritor Marcos Vilaça, um dos maiores das tri-imortalidades estadual, federal e lusitana.
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Recebi, neste 27 de outubro, a investidura na Academia Pernambucana de Letras (APL), presidida pelo escritor Lourival Holanda, após eleição realizada no dia 28/7/25, na qual tive o meu nome sufragado à unanimidade dos votos válidos.
Aquela insigne Casa de Carneiro Vilela sempre representou o espaço da inteligência pernambucana.
O que posso dizer diante da grandeza daquele sodalício? Recolhi a elevada distinção com humildade, contradizendo a palavra camoniana a respeito desses méritos talvez imerecidos, pois sempre me perguntei sobre o ato de alcançar tão alta honraria:
"Melhor é merecê-los sem os receber
Que os possuir sem os merecer."
Na APL, ocupo a Cadeira 35, antes pertencente ao escritor Marcos Vilaça, um dos maiores das tri-imortalidades estadual, federal e lusitana.
Vilaça, singular e plural, está no seu livro-álbum, revelado e, literalmente, retratado no seu extenso caminhar.
Visto pelo ângulo do institucional, o maior cargo assumido por ele foi o de secretário Nacional da Cultura, quando, substituindo Aloísio Magalhães, teve à sua frente o desafio de obter, junto à Unesco, o título de Patrimônio da Humanidade para Olinda.
A sua alegria foi tão grande, que, em Olinda, chegou, no melhor do seu espírito de pernambucanidade, a exclamar:
"Olinda, a bela, a linda Olinda deve estar se sentindo não apenas Olinda, mas Olindíssima."
Ao presidir a APL (1970/1972), além de restaurar o solar do barão Rodrigues Mendes para sede da Academia, realizou um vasto programa de atividades literárias, que chegou a merecer de Gilberto Freyre o encômio "Tão jovem e tão presidente."
Começou celebrando os 70 anos da Instituição, trazendo o então ministro da Educação e presidente da Academia Paranaense de Letras, Jarbas Passarinho, para ser o orador oficial da noite comemorativa à data.
Vilaça, no seu discurso em exaltação à efeméride, disse:
"Ao longo do tempo, a Academia vai seguindo o seu destino. Ela se impôs no contexto da cultura e da vida pernambucana."
O jornalista João Alberto, na sua coluna do Diario de Pernambuco, de 24/1/1971, após extensos registros alusivos ao septuagésimo aniversário da Academia, deu o seguinte depoimento:
"Não há como regatear aplausos à alta conceituação que vive a Academia Pernambucana de Letras neste momento, legitimando todo um áureo passado de afirmação cultural da gente pernambucana e ajudando a manter esse inigualável prestígio da intelectualidade pernambucana. A Academia chega aos setenta orgulhosa dos que a fazem na hora atual."
Pode-se dizer que o depoimento luziu uma chama aos dias que se seguiram, até hoje, na vida auspiciosa daquela Corte Literária.
O significado de pertencer à Academia Pernambucana de Letras
Ser membro da Academia Pernambucana de Letras é integrar uma instituição centenária que guarda, cultiva e renova o patrimônio literário de Pernambuco. Fundada em 26/1/1901, a APL é um espaço de confluência entre tradição e modernidade.
Como articulista, atividade que Bernard Shaw considerava a mais alta forma de literatura, procurei oferecer à APL não apenas mais de dois mil artigos publicados em jornais de Pernambuco e de outras regiões, veiculados em mais de três décadas, mas também uma atuação contínua em favor da preservação do patrimônio histórico, material e imaterial.
Some-se a isso a publicação dos livros "Um olhar sobre o imaginário cultural" e "Arte e cultura: pensar livre, pensar," nos quais busco refletir sobre cultura, memória e letras.
Ênfase especial às obras de restauração da Casa da Rua da União,263, que Manoel Bandeira imortalizou no seu poema "Evocação do Recife," por ter sido a residência de seu avô e onde ele passou momentos significativos de sua infância, na qual instalamos o Espaço Pasárgada, inaugurado no dia 19/4/1986, por ocasião do centenário do poeta.
O empreendimento foi pioneiro no país porque se propôs a colocar a poesia ao alcance do povo.
Nas diversas obras de restauro está o vínculo do patrimônio com a literatura, está a poesia nas linhas e curvas do concreto armado.
Espero que essas obras se tornem duradouras nas perspectivas futuras.
O significado de pertencer à Academia Brasileira de Eventos e Turismo
Pertencer à Academia Brasileira de Eventos e Turismo (Abevt), liderada pelo renomado jornalista e presidente do Grupo Conecta, Sérgio Junqueira, é receber o reconhecimento nacional por uma trajetória de trabalho, inovação e contribuição intelectual para o fortalecimento do setor de turismo e eventos no Brasil.
"Nossa missão é ser uma instituição de referência, com competência, conhecimento e experiência para o desenvolvimento sustentável dos segmentos de Eventos e Turismo," consoante o seu Estatuto.
Ocupo nessa insigne entidade, desde 17/04/2008, a Cadeira 28, que tem como patrono o sociólogo Gilberto Freyre.
A Abevt foi fundada no dia 17/2/2006, estando pronta para, neste ano, 2026, completar as suas duas décadas de existência exitosa e inspiradora.
Pertencer à Abevt, portanto, é participar de um seleto grupo de guardiões da excelência e da cultura do encontro — em que o conhecimento se transforma em legado e o evento se faz expressão de identidade nacional.
O que significa pertencer à Academia de Artes e Letras de Goiana/PE?
Pertencer à Academia de Artes e Letras de Goiana (AALGO), presidida pela literata Rose Mary Viegas, que reúne escritores, poetas, cordelistas, artistas, intelectuais, artesãos e promotores das letras e das artes, é interagir com a comunidade de uma instituição que busca a identidade cultural da sua gente.
Muito me orgulha pertencer a essa academia que sabe ser fiel às tradições de Goiana, chamada a Milão do Nordeste.
A AALGO estará, no próximo 14 de julho, celebrando as suas Bodas de Prata, um tempo ainda curto na perspectiva histórica, mas de grande valia pelo que vem encetando no plano do cultivo da língua pátria e do incentivo à leitura diante das gerações mais novas.
O poder público, nas suas três esferas de competência, na diversidade precisa estar atento ao apoio que os idealistas das artes, da cultura e da preservação do patrimônio, material e imaterial, esperam seja dado como um estímulo à unidade territorial e ao legado de muitos dos seus ancestrais às novas gerações.
Roberto Pereira, Cadeira 35 da Academia Pernambucana de Letras