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Sobre Porto de Galinhas

Em Porto de Galinhas, todo aquele recanto é, hoje, um pedaço de "chão sem dono" - cuja beira-mar foi sendo tomada por barraqueiros exploradores.

Por IVANILDO SAMPAIO Publicado em 04/01/2026 às 0:00 | Atualizado em 05/01/2026 às 10:11

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Ninguém, de boa fé, pode afirmar que foram honestos nos seus relatos e agiram de forma correta , dois turistas do Mato Grosso que, sem nenhuma dúvida, foram atacados e agredidos por barraqueiros na orla da praia de Porto de Galinhas, cujo futuro não se sabe qual seria, não tivessem eles sido socorridos por alguns salva-vidas que ali estavam, embora embora essa não fosse sua missão. E ninguém, da mesma forma, pode negar que ambos foram brutalmente espancados e acusados de se recusarem a pagar despesas que teriam contraído, num ambiente que há muito tempo se deteriora, que já não explora o turismo, embora faça questão de explorar o turista.

Mais ainda, se esse turista vem de fora do Estado, trazido pela propaganda que mostra Porto de Galinhas como uma das mais belas Praias de tolo litoral brasileiro. E realmente é. Convenhamos: um patrimônio de Pernambuco que, aos poucos, vai sendo descaracterizado, vilipendiado, destruído - assim como sofre, pela falta de cuidado, a nossa rica herança do "Brasil Colonial" e da cultura holandesa, aos poucos dissolvendo, como pó. Esse prejuízo aqui é histórico e cultural. Em Porto de Galinhas, não; todo aquele recanto é, hoje, um pedaço de "chão sem dono" - cujas areias vão se tornando poluídas e cuja beira-mar, dia após dia, foi sendo tomada por barraqueiros, que exploram, sem controle e como podem, alguns desavisados que ali chegam.

A Prefeitura de Ipojuca, a quem Porto de Galinhas pertence, embora seja uma das que mais arrecadam impostos em Pernambuco, pouco liga e menos faz para garantir melhores condições àquela antiga vila de pescadores. E O Estado também anda ausente. Pois bem, sem a presença do Poder Público, juntam-se aos barraqueiros as "gangs" dos "flanelinhas", outra leva de desocupados que toma conta de qualquer espaço livre onde possa caber um automóvel - cobram preços extorsivos para permitir que o visitante ali estacione seu carro, danificam o veículo se não receberem adiantado o preço que eles mesmo estipulam. E a Polícia?

Quase sempre, não sabe, não viu, tem ocorrências mais importante para cuidar. E os empresários, pequenos, médios e grandes, por qual razão não se sabe, ficam calados diante esse abuso que, aos poucos, começam a afastar de Porto de Galinhas potenciais turistas que tomam conhecimento disso e não pretendem correr o risco .É evidente que, sabedores disso, poderão buscar opções mais seguras, pois existem..

Ao que consta, todos esses empresários temem represália, atos de vandalismo contra seus empreendimentos, desde resorts de cinco estrelas às pequenas pousadas, já que ambos tem sua clientela habitual, desde integrantes das classes mais abastadas do Sul e Sudeste, clientes fiéis durante o verão, até a classe média, do Estado e da Região, que ocupa algumas das pousadas, modestas mas muito bem equipadas, de preço compatível com sua condição social. E esse acomodamento permite que os

abusos continuem ocorrendo. Ninguém reclama, ninguém denuncia, ninguém quer correr risco, vale a teoria do "deixa como estar prá ver como é que fica".

Esquecem que a atividade turística é vulnerável, que uma notícia ruim balança os alicerces de um passado de glórias - os exemplos são muito e são recorrentes. Uma praia do Litoral Sul de Pernambuco não esta distante das praias do Litoral Norte de Alagoas, que também tem sol, areia, coqueirais e hotéis de luxo, sem que se saiba dessa exploração descabida que aqui se registra. Nesse mundo de violência onde o crime organizado já não teme os órgãos de segurança, onde flanelinhas tomam posse de ruas e avenida como se fossem patrimônio seu; barraqueiros loteiam as praias e agridem quem não se submete aos seus caprichos, existe apenas uma certeza: um dia a casa cai.

Ivanildo Sampaio é jornalista

 

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