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Dudi: uma sorveteria que fez história no Recife

A primeira "Dudi" ficava na Rua do Hospício, ao lado da residência do Comandante da 7ª Região Militar, da sede do IV Exército..............

Por JOÃO ALBERTO MARTINS SOBRAL Publicado em 18/07/2025 às 0:00 | Atualizado em 18/07/2025 às 11:17

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Os irmãos Walter e Werner Luck, filhos de Ernest Walter Luck, Elizabeth e Luise Bamberger, alemães que se mudaram para o Rio Grande do Norte, tendo passado a adolescência e a juventude em Natal. Decidiram vir para o Recife, nos anos 50, em busca de novas oportunidades.

Abriram, em 20 de agosto de 1954, a Dudi Produtora de Alimentos, que depois virou "Sorvetes Dudi", com o slogan "O que há de Melhor". Conta-se que o nome "Dudi" queria dizer "Deus Uniu Dois Irmãos", mas eles garantiam que foi adotado por ser de fácil memorização.

A primeira "Dudi" ficava na Rua do Hospício, 479, ao lado da residência do Comandante da 7ª Região Militar, da sede do IV Exército e de uma loja de móveis que tinha representante no Nordeste, das famosas camas "Patente". Ficava em frente ao Parque Treze de Maio e da Faculdade de Direito do Recife, uma área de grande trânsito de pessoas. Foi inaugurada no dia 1º de maio de 1956.

Começou como uma pastelaria, que produzia pães, bolos e tortas. Eles importaram, da Alemanha, máquinas modernas, a começar de um forno elétrico para assar bolos, doces, salgados e pães. Também importaram batedeiras gigantes para o preparo de massas e frigoríficos para armazenar os doces prontos. O grande sucesso eram as "granadas", minitortas recheadas com massa de bolo, chocolate em pó, rum e manteiga, mergulhadas em calda de chocolate derretido. Também trouxeram o pasteleiro Simmons. No pátio, na parte de trás da casa, foram colocadas mesas e cadeiras, onde eram servidos almoços executivos.

Werner cuidava da produção e Walter do planejamento da empresa. Werner voltou à Alemanha, onde comprou duas modernas e potentes máquinas para a fabricação de sorvetes e picolés redondos, uma novidade na época. Também trouxe o sorveteiro Fritz, para implementar a sorveteria que, tão logo foi aberta, em 1956, logo se tornou um enorme sucesso.

O carro-chefe da casa era o "Beijo Frio", um sanduíche congelado de biscoito quadrado, feito com massa de casquinha de sorvete, recheado com sorvete de creme e colocado numa calda de chocolate, antes de ser embalado. Lembro do seu sorvete de chocolate, com um sabor muito especial, que não consigo encontrar em outra sorveteria, atualmente, nem nas mais badaladas.

Em pouco tempo, tornou-se um grande point, com enorme movimento, muitas vezes com grandes filas para o atendimento, principalmente nos fins de semana, quando as pessoas as frequentavam depois de assistir filmes nos cinemas nas proximidades, como o São Luiz, Art Palácio e Trianon. Além disso, era o preferido dos alunos da Escola de Engenharia, dos colégios Marista, Auxiliadora e Nóbrega, do cursinho União e de outro que era conhecido como "Cabaré de Soares", onde muitos advogados famosos estudaram para o vestibular de Direito.

Para manter a qualidade dos sorvetes, a "Dudi" nunca teve carrinhos nas ruas, como acontecia com marcas concorrentes. Em 1956, abriu uma filial, no Edifício Conde da Boa Vista, na Avenida Guararapes, junto da loja da Varig, e que também foi sucesso total. Em 1959, a Dudi foi vendida e logo o novo dono fechou as duas casas.

Em 1960, Walter Luck, numa pequena sala no Edifício Bancomércio, na Rua Matias de Albuquerque, fundou a Luck Turismo, que vendeu, em 1977 para o irmão Werner e que funciona até hoje, como uma das melhores do país, comandada pelos seus filhos, Gustavo, Sandra, Renata e Elizabeth.

João Alberto Martins Sobral, editor da coluna João Alberto no Social 1

 

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