OPINIÃO | Notícia

Arthur Carvalho: Gramado sintético queima?

Joguei em muitos campos do Brasil mas todos de grama natural. Uns dizem que na sintética, a bola corre mais, outros, que é ruim pros goleiros

Por ARTHUR CARVALHO Publicado em 02/04/2025 às 7:00

Quando me perguntam se grama sintética é boa me lembro de João Saldanha. Quando ele era técnico da Seleção Brasileira nas eliminatórias da Copa de 70, foi treinar em Porto Alegre, contra o Escrete Gaúcho, no recém-inaugurado e majestoso Estádio Beira-Rio, do Internacional, um orgulhoso repórter esportivo de rádio local lhe perguntou se estava gostando da grama, João respondeu que ainda não tinha provado.

Joguei em muitos campos do Brasil mas todos de grama natural. Uns dizem que na sintética, a bola corre mais, outros, que é ruim pros goleiros, cada um tem uma opinião. No meu tempo diziam que se o jogador caísse em campo e “deslizasse” no sintético, a grama “queimava” a parte do corpo que deslizava. A verdade é que na Europa quase todos os gramados são de grama natural.

Locutor esportivo da Tupi do Rio, Ary Barroso foi transmitir um jogo no Pacaembu e um speaker de pista começou a chamá-lo na cabine: “Ary, Ary, acaba de adentrar o gramado um cachorro vira-lata preto.” Transmitindo um lance importante da partida, com perigo de gol, Ary não facultou a palavra ao repórter que insistia: “Ary, Ary, não está me ouvindo? Acaba de penetrar na cancha um vira-lata preto!” E Ary, p. da vida: “Em lugar de quem?” Não tenho opinião segura sobre o assunto porque nunca joguei em campo sintético. O do Jockey Club Brasileiro, “cedido” pelo Chanceler Oswaldo Aranha, no Rio, para nosso time, o Flamenguinho treinar e jogar era de grama. O Flamenguinho foi fundado por mim, meu cunhado Kléber de Carvalho Bezerra, meu irmão Carlos Aloysio e meu primo Madu porque morávamos na Rua Viúva Lacerda, Humaitá, ruazinha calçada e enladeirada.

Joguei ainda nos campos do ABC e América de Natal com o Guarany, time juvenil que fundei com Carlos Aloysio e o empresário Levy Viana, e no velho Juvenal Lamartine e em Papari, hoje cidade de São José de Mipibu, no Rio Grande do Norte. Todos péssimos gramados. No Recife joguei nos excelentes campos do Americano Baptista, do Derby da PM e Country. No José do Rêgo Maciel, no do América, em Bebinho Salgado e péssimo gramado da Ilha do Retiro. Com o juvenil rubro-negro, bicampeão invicto de 54/55, joguei em São Bento do Uma, Catende, Palmares e São Caetano. No do Colégio São Luís. Em Salvador joguei no Octávio Mangabeira – Fonte Nova e no lendário campinho da Graça.

Arthur Carvalho – Associação Brasileira de Imprensa - ABI

 

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