OPINIÃO | Notícia

Dr. Luiz Severo: prescrição de medicamento x disputa para quem tem autoridade em prescrever

Na minha opinião, prescrever um medicamento deve ser um ato fundamentado em um diagnóstico preciso, que, por sua vez, requer avaliação médica

Por JC Publicado em 26/03/2025 às 7:00

Recentemente, a permissão do Conselho de Farmácia para que farmacêuticos prescrevam medicamentos gerou um intenso debate, especialmente entre entidades médicas que apontam essa prática como ilegal. A questão central gira em torno da capacidade de cada profissional de saúde em desempenhar suas funções de maneira adequada e responsável.

Na minha opinião, prescrever um medicamento deve ser um ato fundamentado em um diagnóstico preciso, que, por sua vez, requer uma avaliação médica. O fato de um farmacêutico ter conhecimento profundo sobre medicamentos não o qualifica automaticamente para determinar qual é a doença que o paciente apresenta. Essa distinção é crucial, pois o diagnóstico é uma responsabilidade que deve ser reservada a médicos, que são treinados para conduzir avaliações clínicas abrangentes.

É inegável que cada profissional de nível superior possui um valor significativo na jornada do paciente. O farmacêutico, por exemplo, desempenha um papel vital na orientação sobre a dosagem correta, o uso adequado dos medicamentos e a importância de evitar abusos e interações medicamentosas. Essas informações são essenciais e podem impactar diretamente a saúde do paciente.

Entretanto, o que parece estar em jogo é uma disputa sobre quem tem a autoridade para prescrever. O ideal seria promover uma corresponsabilidade entre médicos e farmacêuticos, onde cada um é reconhecido e valorizado por suas competências específicas.

No Brasil, muitos pacientes buscam soluções rápidas e milagrosas para suas condições de saúde, o que pode criar a ilusão de que o poder de prescrição traz benefícios imediatos. Porém, a verdadeira solução começa e termina na educação do paciente. Informar e instrumentar o indivíduo sobre seu tratamento é fundamental para garantir que ele receba o melhor cuidado possível.

Portanto, ao invés de uma disputa entre profissionais, o foco deve estar em como cada um pode contribuir para a saúde da comunidade. Médicos e farmacêuticos têm papéis complementares e, juntos, podem oferecer um atendimento mais eficaz e humanizado, sem a necessidade de competir por espaço. A valorização de cada profissão é essencial para que possamos construir um sistema de saúde mais equilibrado e eficiente.

Dr. Luiz Severo - Neurocirugião , especialista em dor

 
 

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