Eduardo Carvalho: a importância da família na formação das crianças e dos jovens
A família é a célula mater da sociedade e desempenha um papel essencial no desenvolvimento e educação das crianças e jovens

O ambiente familiar é o primeiro espaço de socialização, onde as bases para o aprendizado, os valores e as relações interpessoais são desenvolvidas. Seu papel como ambiente de afeto, cultivo de valores e apoio emocional é insubstituível.
Uma família fundamentada em sentimentos de amor, respeito mútuo, solidariedade, gratidão, generosidade, com responsabiliade e honestidade educa e forma indivíduos seguros e aptos para a jornada da vida. Famílias saudáveis são os alicerces de uma sociedade saudável.
Nesse ambiente, as crianças e jovens encontram um porto seguro para explorar o mundo ao seu redor, brincar, se expressar, desenvolver suas potencialidades, enfrentar desafios, conviver com as diferenças de temperamento e pontos de vista.
Essa base de segurança permite que se arrisquem e aprendam com erros, fatores cruciais para o desenvolvimento cognitivo e emocional.
O impacto do exemplo familiar no desenvolvimento
O exemplo dos pais e outros membros do núcleo familiar tem um impacto profundo na formação das personalidades das crianças e dos jovens, que aprendem mais pelo que observam do que pelo que lhes é ensinado verbalmente.
Suas escolhas e atitudes contribuem significativamente para a construção da história de seus filhos. Hábitos saudáveis, como uma boa alimentação, práticas de higiene e rotina de estudos, são estabelecidos principalmente no âmbito familiar.
Pais que incentivam a leitura, a prática de esportes, conversam sobre temas atuais, cultivam interesses diversos, criam um ambiente propício para o desenvolvimento integral dos filhos, contribuindo para a formação de cidadãos conscientes e preparados para os desafios do mundo.
O estilo de educação adotado pelos pais — autoritário, permissivo, negligente ou participativo — influencia diretamente no comportamento e nas escolhas futuras dos filhos.
Educação participativa
Pesquisas indicam que o estilo participativo, caracterizado por limites claros combinados com afeto e diálogo, é o mais eficaz para promover o desenvolvimento equilibrado.
Os pais devem ser como um farol que orienta e decide, de forma coerente, aquilo que pode ou não ser realizado, com bom senso, equilibrado emocionalmente, e sem nunca esquecer as regras, rotinas e ritmos acordados pelo casal.
Outros membros da família também influenciam. Irmãos mais velhos, por exemplo, podem ser modelos para os mais jovens, enquanto avós narram histórias que ajudam a consolidar o senso de responsabilidade.
Momentos simples, em conversas ao redor da mesa numa refeição e brincar juntos podem fortalecer os laços familiares. A dinâmica familiar saudável é essencial para a formação das crianças e dos jovens felizes.
Essa dinâmica pode ser prejudicada em famílias que passam pouco tempo juntas, por impor um ritmo acelerado de trabalho, e quando estão fisicamente presentes, usam excessivamente dispositivos eletrônicos. Podem também ser famílias psicopatologicamente doentes.
Casos podem requerer cuidados por profissionais especializados, se tiverem consciência e aceitarem que a necessidade de ajuda existe.
Vida adulta depende do ambiente familiar
Uma pesquisa da Universidade de Harvard, iniciado em 1938, objetivou determinar o segredo para criar crianças bem-sucedidas. 268 estudantes de Harvard foram acompanhados durante 70 anos.
O estudo analisou a saúde mental e física, bem como seus sucessos e fracassos. A conclusão foi clara: A família é importante porque uma vida bem-sucedida e feliz depende de um ambiente familiar amoroso e de relacionamentos saudáveis.
Os primeiros relacionamentos das crianças são com seus pais. O vínculo que elas formam com eles molda a maneira como elas veem a si mesmas e os outros. Eles são seus primeiros professores e modelos.
Pais equilibrados, carinhosos, bem como experiências familiares positivas, contribuem para o desenvolvimento saudável do cérebro.
Além disso, ter uma família com relacionamentos positivos está diretamente correlacionado a níveis mais baixos de depressão do adolescente, delinquência e comportamento antissocial. Boas tradições familiares promovem um senso de identidade e autoestima.
Laços familiares positivos levam a um nível menor de transtornos de conduta e fortalecem a família, ajudando-a a enfrentar tempos difíceis e rupturas.
Por outro lado, os estudos também apontaram efeitos negativos: relacionamentos familiares problemáticos têm impacto prejudicial na saúde mental e emocional dos filhos, podendo impactar na vida adulta.
O papel das políticas públicas no fortalecimento familiar
Investir na família é imprescindível. É investir na formação de gerações futuras. Portanto, é essencial instituir políticas públicas com o propósito do bem-estar familiar, onde crianças e jovens possam crescer com amor, segurança e oportunidades de florescimento.
As famílias precisam de assistência social. Crianças e jovens precisam de assisstência médico-odontológica, boa nutrição e educação de qualidade desde o nascimento. Acompanhamentos médico-psicológico regulares desde a gestação para as mães também são necessários.
Clubes de mães podem ser implantados nas comunidades para promover integração entre elas, bem como promoções de palestras educativas e atividades culturais e recreativas.
O desenvolvimento infantil virtuoso requer solução sistêmica, como ocorre em países com nível elevado do indicador de desenvolvimento humano.
Não apenas um "bolsa família" ou outro nome semelhante. O Brasil urge implantar políticas e ações como a proposta acima, devido ao enorme contigente de pobreza e miséria no país.
A universidade de Harvard tem o Harvard Family Research Project, com o propósito de desenvolver ações para o bem-estar familiar, e ser uma força transformadora para o sucesso das crianças e jovens. Vale aprender com os insights do projeto.
Eduardo Carvalho, Harvard University/IPERID Fellow