Petróleo dispara após Trump afirmar que cessar-fogo com Irã "acabou"
Declaração do presidente dos Estados Unidos aumenta tensão no Oriente Médio e impulsiona preços da commodity em mais de 6%
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Os preços do petróleo registraram forte alta nesta quarta-feira (8), depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o acordo provisório de cessar-fogo com o Irã "acabou". A declaração elevou as preocupações do mercado sobre a continuidade do conflito e seus impactos no fornecimento global de energia.
O barril do petróleo Brent, referência internacional, subiu 6,3% e foi negociado a US$ 78,80. Já o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, avançou 6,4%, chegando a US$ 75 por barril.
As declarações foram feitas por Trump durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), realizada em Ancara, na Turquia. "Para mim, acho que acabou. É apenas uma perda de tempo lidar com eles", afirmou o presidente ao comentar a situação do acordo com o Irã.
Tensões no Estreito de Ormuz
A escalada ocorre após ataques dos Estados Unidos ao Irã em resposta a ofensivas contra três embarcações no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo.
Como parte do acordo provisório firmado entre os dois países, navios poderiam atravessar o estreito sem cobrança de taxas durante 60 dias. No entanto, o governo iraniano afirmou que pretende controlar as rotas marítimas e cobrar tarifas após esse período.
Os ataques desta semana a três embarcações comerciais, entre elas um petroleiro saudita e um navio de gás natural liquefeito do Catar, aumentaram as preocupações sobre possíveis interrupções no fluxo de petróleo pela região. O Irã não assumiu a autoria das ações.
Impactos no mercado
O aumento da tensão no Oriente Médio reacendeu temores de desabastecimento e pressionou os preços da commodity, gerando incertezas sobre a inflação e o cenário econômico global.
O governo Trump também revogou uma autorização que permitia ao Irã exportar petróleo. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos, mais de 80 alvos iranianos foram atingidos na ofensiva, incluindo embarcações militares.
Em resposta, as Forças Armadas iranianas atacaram instalações militares americanas no Bahrein e no Kuwait, ampliando o ciclo de retaliações na região.
Dados da empresa de monitoramento marítimo Kpler mostram que apenas 36 navios cruzaram o Estreito de Ormuz na segunda-feira, número bem inferior aos mais de 100 registrados diariamente antes do agravamento do conflito, refletindo a cautela das empresas de navegação diante da instabilidade na região.