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União Europeia alerta que a estabilidade no Oriente Médio é impossível enquanto o Líbano continuar "em chamas"

Em coletiva, Ursula von der Leyen não mencionou especificamente Israel, mas exigiu que "todas as partes" respeitem a soberania do Líbano

Por Estadão Conteúdo Publicado em 13/04/2026 às 19:06

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A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, alertou nesta segunda-feira (13) que, apesar do cessar-fogo acordado entre o Irã e os Estados Unidos, a estabilidade no Oriente Médio não será possível enquanto o Líbano continuar "em chamas" sob a ofensiva de Israel no sul do país, em uma campanha militar oficialmente dirigida contra o partido-milícia xiita libanês Hezbollah.

"Uma lição fundamental das últimas semanas é que a segurança é indivisível. Não pode haver estabilidade no Oriente Médio nem no Golfo enquanto o Líbano estiver em chamas", afirmou a chefe do Executivo comunitário durante uma coletiva de imprensa em Bruxelas, após uma reunião do Colégio de Comissários focada no impacto da situação no Oriente Médio sobre a UE.

Von der Leyen, que não mencionou especificamente Israel, exigiu que "todas as partes" respeitem a soberania do Líbano e apliquem "um cessar-fogo total", estendendo a este país o "frágil" cessar-fogo acordado na semana passada por Washington e Teerã, diante do risco de que uma ofensiva contínua "ameace descarrilar todo o processo" de negociações para a paz no Oriente Médio.

No entanto, a conservadora alemã lembrou que a UE vem mobilizando reservas de ajuda desde o início da ofensiva israelense, embora tenha lamentado que "nenhuma quantidade de ajuda possa substituir a segurança de uma paz permanente".

Dito isso, ela destacou o cessar-fogo de duas semanas acordado entre os Estados Unidos e o Irã e expressou sua gratidão ao Paquistão pelo "importante papel" que desempenhou para se chegar a este ponto, embora tenha observado que "as negociações estão agora estagnadas" e tenha se mostrado à espera de como "as coisas evoluirão".

"Qualquer acordo seria bem-vindo", acrescentou, sublinhando como pontos importantes para um acordo de paz que o Irã não desenvolva seu programa nuclear e de mísseis balísticos e que recue em seu bloqueio do estreito de Ormuz, que está "causando um grande prejuízo" à economia mundial e à da União Europeia.

Itália se oferece para sediar negociações entre o Líbano e Israel

O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, ofereceu-se para sediar negociações em Roma entre o Líbano e Israel durante uma visita à capital libanesa, Beirute, um dia antes das conversas previstas em Washington entre as partes. "É muito importante que as reuniões que começam amanhã (esta terça-feira) em Washington resultem em um cessar-fogo. A Itália está disposta a sediar as negociações entre o Líbano e Israel para alcançar a estabilidade", afirmou Tajani, segundo uma mensagem da Presidência libanesa divulgada pelo Ministério.

O ministro das Relações Exteriores - que se reuniu durante o dia com o presidente libanês, Joseph Aoun - informou de Beirute que pediu a Israel que cessasse "as agressões" contra civis libaneses e contra os efetivos da Força Interina das Nações Unidas para o Líbano (FINUL).

Tajani, que definiu o Líbano como "país irmão", transmitiu a Aoun a solidariedade da Itália pelos ataques "inaceitáveis" de Israel contra a população civil, afirmando que reforçarão seu compromisso humanitário no país por meio das iniciativas de cooperação impulsionadas pelo Ministério das Relações Exteriores.

Da mesma forma, reafirmou o apoio de Roma às instituições libanesas, em particular à Presidência, bem como o compromisso da Itália de "fortalecer as capacidades do Exército libanês por meio de sua missão militar bilateral".

"No âmbito do nosso compromisso militar e de treinamento das Forças Armadas libanesas, ofereci ao presidente Aoun a ajuda da Itália para combater o financiamento ilícito do terrorismo e também prevenir novos ataques por parte do Hezbollah. O Governo fará todo o possível para alcançar a paz e pôr fim ao sofrimento do povo libanês. É preciso evitar a todo custo outra escalada como a de Gaza", argumentou.

Israel tem insistido nos últimos dias que a trégua anunciada esta semana entre o Irã e os Estados Unidos não inclui o Líbano e chegou a intensificar seus ataques contra este país, quando na última quarta-feira lançou uma onda de bombardeios que matou mais de 300 pessoas, segundo dados do Ministério da Saúde libanês.

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