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Itamaraty confirma revogação de visto de assessor de Trump

O presidente Lula afirmou que Darren Beattie só entrará no Brasil quando o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, puder entrar nos EUA

Por Estadão Conteúdo e Agência Brasil Publicado em 13/03/2026 às 17:01 | Atualizado em 13/03/2026 às 17:03

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O Ministério das Relações Exteriores confirmou nesta sexta-feira (13) a revogação do visto do assessor do governo do presidente Donald Trump, Darren Beattie. Ele pretendia visitar o Brasil na próxima semana.

Segundo a pasta, a decisão foi tomada “tendo em conta a omissão e o falseamento de informações relevantes quanto ao motivo da visita por ocasião da solicitação do visto, em Washington”.

“Trata-se de princípio legal suficiente para a denegação de visto, de acordo com a legislação nacional e internacional”, informou a assessoria.

Mais cedo, durante agenda no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que Darren Beattie só entrará no Brasil quando o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, puder entrar nos Estados Unidos.

“Aquele cara americano que disse que vinha pra cá, para visitar Jair Bolsonaro, foi proibido de visitar. E eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde, que estão bloqueados.”

Lula lembrou que, em 2025, os Estados Unidos cancelaram o visto da esposa e da filha de 10 anos de Padilha. À época, o visto do ministro estava vencido e, portanto, não passível de cancelamento.

“Padilha, esteja certo que você está sendo protegido”, completou Lula.

Visita negada

Na quinta-feira (14), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes negou o pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro para receber a visita de Darren Beattie.

Na decisão, Moraes disse que a visita do assessor do presidente Donald Trump não foi comunicada à diplomacia brasileira e não está inserida na agenda oficial que será cumprida no Brasil.

“Ingerência”

Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, informou a Moraes que a visita a Bolsonaro poderia configurar “indevida ingerência” em assuntos internos do Brasil.

A declaração consta em ofício enviado pelo chanceler brasileiro ao ministro do Supremo.

“A visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”, afirmou Vieira no documento.

O pedido

O ex-presidente Jair Bolsonaro pediu, na última terça-feira (10), ao STF autorização para receber a visita de Darren Beattie. Aliado do presidente Donald Trump, Beattie trabalha para o Departamento de Estado e é responsável por assuntos ligados ao Brasil.

No pedido de autorização encaminhado ao Supremo, a defesa de Bolsonaro pediu que a visita seja realizada na próxima segunda-feira (16), no período da manhã, ou na terça-feira (17) – datas em que o assessor estará em visita oficial ao Brasil.

A entrada de um tradutor na prisão também foi solicitada.

Imprensa internacional repercute cancelamento de visto de assessor de Trump pelo Brasil

A decisão do governo do presidente Lula (PT) de revogar, nesta sexta-feira, 13, o visto do assessor do Departamento de Estado americano Darren Beattie repercutiu na imprensa internacional.

Reuters, Washington Post e Bloomberg dedicaram reportagens ao episódio, enquadrando-o como novo capítulo de tensão diplomática entre Brasília e Washington.

Beattie havia sido nomeado pelo governo Donald Trump no mês passado para supervisionar a política dos Estados Unidos em relação ao Brasil, e teve o acesso ao País cancelado um dia depois de o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes vetar sua visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Penitenciária da Papuda, em Brasília.

O episódio se soma a uma sequência de atritos bilaterais iniciada em agosto de 2025, quando Washington cancelou vistos de autoridades brasileiras acusadas de vínculos com um programa de envio de médicos cubanos ao Brasil, entre elas o ministro da Saúde Alexandre Padilha.

A Reuters ressaltou que a própria nomeação de Beattie - descrito pela agência como um crítico declarado do governo brasileiro - já era indicativo de que as relações entre os dois países "permanecem delicadas apesar da recente reaproximação".

A agência destacou ainda que Moraes baseou sua decisão em documento do chanceler Mauro Vieira, segundo o qual o assessor americano havia se comprometido apenas a participar de um fórum de minerais críticos e de reuniões com autoridades, sem mencionar a intenção de visitar Bolsonaro.

O Washington Post enquadrou o caso como uma disputa de retaliação mútua, chamou atenção para o silêncio da Casa Branca diante dos desdobramentos e situou o episódio no contexto da corrida presidencial brasileira.

"Brasil revoga visto de funcionário americano em medida recíproca", disse a publicação, explicando que Lula disputa a reeleição em outubro tendo o senador Flávio Bolsonaro como principal adversário.

Já a Bloomberg contextualizou mais o histórico diplomático recente, lembrando que o governo Trump passou o segundo semestre de 2025 pressionando o STF por meio de tarifas sobre produtos brasileiros e de sanções ao próprio Moraes, revertidas ao fim do ano após esforços de reaproximação.

A agência revelou ainda que Moraes havia inicialmente aprovado o encontro entre Beattie e Bolsonaro antes de reverter a decisão, e reproduziu alerta do chanceler Vieira de que a visita poderia configurar "indevida interferência" nos assuntos internos do País, sobretudo em ano eleitoral.

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