Saiba o que é o Estreito de Ormuz, rota crucial para transporte global de petróleo
O Ministério dos Assuntos Estrangeiros da Rússia alertou para as consequências do fechamento do Estreito de Ormuz para o mercado petrolífero
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O Irã fechou o Estreito de Ormuz, uma das principais hidrovias para o transporte de petróleo no mundo, nesta segunda-feira, 2, após escalada em confronto contra os Estados Unidos e Israel. A Guarda Revolucionária afirmou que irá incendiar qualquer navio que tentar passar pela única saída do Golfo Pérsico para o mar aberto.
O Estreito de Ormuz, que fica entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, conecta grandes produtores de petróleo, como os dois países já mencionados, Arábia Saudita e Iraque, ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico, e concentra cerca de 20% do fluxo global da commodity.
CONSEQUÊNCIAS DO FECHAMENTO
Neste domingo, 1º, o Ministério dos Assuntos Estrangeiros da Rússia alertou para as consequências do fechamento do Estreito de Ormuz para o mercado petrolífero mundial em meio aos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã.
"Foi relatado que a navegação foi interrompida no Estreito de Ormuz. Isso pode levar ao bloqueio de exportações de hidrocarbonetos na região e criar um desequilíbrio significativo nos mercados globais de petróleo e gás", diz a chancelaria russa em nota.
Os preços do barril de petróleo podem subir para uma faixa de US$ 80 a US$ 100 em meio aos desdobramentos das tensões entre os Estados Unidos e o Irã. O Brent fechou a semana na sexta-feira, 27, perto da máxima em sete meses, a cerca de US$ 73 por barril. Analistas de Wall Street projetam o petróleo a US$ 80, mas alertam para cotações ainda mais altas caso a tensão entre EUA e Irã aumente e o conflito se prolongue.
Parte do Estreito de Ormuz foi fechado no dia 17 de fevereiro por "precauções de segurança" para a navegação, informou a agência semioficial iraniana Fars News, em meio a exercícios militares conduzidos pela Guarda Revolucionária do Irã na hidrovia.
Enquanto isso, os Estados Unidos deram indícios na tarde desta segunda de que vão ampliar seu envolvimento militar na guerra contra o Irã. Na Casa Branca, o presidente Donald Trump afirmou que uma grande onda de ataques contra Teerã está por vir.
PREÇO DO PETRÓLEO
O contrato Brent para maio chegou a saltar quase 10% e fechou com avanço de 6,68%, a US$ 77,74 por barril. O sócio da Leggio Consultoria, Marcus DElia, afirmou que se o conflito fechar Ormuz por mais de 40 dias, faltará petróleo no mundo.
Ainda assim, se o rali do petróleo for mantido, o real pode ser um ganhador relativo, conforme alguns participantes do mercado financeiro. O JPMorgan menciona que a moeda brasileira é a terceira com mais exposição à commodity.
Como o Brasil é exportador líquido de commodities e tende a se beneficiar do aumento no preço do petróleo, o real pode vir a se apreciar em breve, acrescenta o economista sênior do Inter, André Valério.
O cenário também já está na ponta do lápis do governo brasileiro. A equipe econômica estima que um aumento sustentado do barril de petróleo para a casa de US$ 85 poderia significar um incremento na ordem de R$ 5 bilhões a R$ 10 bilhões nas receitas orçamentárias de 2026.
As bolsas de Nova York fecharam sem coesão nesta segunda-feira, após se recuperarem das mínimas na reação volátil ao recrudescimento das tensões no Oriente Médio. Após ataques conjuntos dos EUA e Israel ao Irã no sábado gerarem reação iraniana, o mercado reorganizava as perspectivas econômicas e de política monetária.
O Dow Jones fechou em baixa de 0,15%, aos 48.904,78 pontos, após ter chegado a operar com breve ganho em uma recuperação da mínima do dia de 48.377,96 pontos. Já o S&P 500 terminou com alta de 0,04%, aos 6.881,62 pontos, e o Nasdaq ganhou 0,36%, aos 22.748,86 pontos.
Para o Goldman Sachs, para ações e crédito, o impacto é negativo mas apenas uma interrupção grave e prolongada no fornecimento de petróleo teria consequências substanciais para o crescimento global. A gravidade da situação passou de alta para severa em nossos cenários pré-definidos, disse a S&P Global.
As petrolíferas Chevron e da ExxonMobil avançavam 1,52% e 1,13%, respectivamente, com o salto do petróleo. A alta da commodity e notícias de ataques a aeroportos no Oriente Médio pesaram nas operadoras aéreas, como American Airlines (-4,2%), United Airlines (-2,9%) e Delta (-2,2%).
O setor de defesa foi impulsionado diante das perspectivas de lucro em função da guerra. A Northrop Grumman e a RTX registraram altas de 6% e 4,7%, respectivamente.
Grupos de transporte marítimo despencaram, liderados pelo tombo de 10,5% da Norwegian Cruise Line após projeções fracas para o ano. A Carnival caiu 7,7%, a Viking Holdings perdeu 5,2% e a Royal Caribbean cedeu 3,2%.
Os bancos tiveram pouca força de recuperação após tombos expressivos na sexta-feira. O Goldman Sachs subiu 0,8%.