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Trump escolhe Kevin Warsh para a presidência do Fed em meio a embates com o Banco Central

Em postagem na rede Truth Social, Trump classificou Warsh como "perfeito para o cargo" e previu que ele será "um dos maiores presidentes do Fed"

Por JC Publicado em 30/01/2026 às 19:13

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O presidente Donald Trump oficializou, nesta sexta-feira (30), a indicação de Kevin M. Warsh para assumir o comando do Federal Reserve (Fed). O anúncio encerra meses de especulação sobre o sucessor de Jerome Powell, cujo mandato expira em maio, e sinaliza uma tentativa do governo de alinhar a política monetária dos Estados Unidos às suas promessas de campanha por juros baixos.

Em postagem na rede social Truth Social, Trump classificou Warsh como "perfeito para o cargo" e previu que ele será "um dos maiores presidentes da história do Fed". A escolha ocorre em um cenário de alta voltagem política, marcado por ataques frequentes do Executivo à atual diretoria da instituição.

O perfil do escolhido

Warsh, de 55 anos, não é um estranho ao Federal Reserve. Ele atuou como diretor da instituição entre 2006 e 2011, destacando-se na linha de frente durante a crise financeira global. Atualmente vinculado à Hoover Institution e ao investidor Stanley Druckenmiller, Warsh superou nomes de peso na disputa, como Kevin A. Hassett, assessor econômico da Casa Branca; Christopher J. Waller, atual diretor do Fed; e Rick Rieder, executivo da BlackRock.

A principal missão delegada por Trump a Warsh parece ser a redução agressiva das taxas de juros, hoje situadas na faixa de 3,5% a 3,75%. O presidente defende que o patamar ideal deveria estar próximo de 1% para aliviar o mercado imobiliário e estimular o crescimento.

Essa divergência técnica evoluiu para uma crise institucional sem precedentes. O Departamento de Justiça abriu um inquérito contra Jerome Powell focado na gestão de reformas na sede do banco.

Republicanos moderados indicaram que podem barrar confirmações enquanto a independência do Fed estiver sob ameaça. O governo tenta remover a diretora Lisa D. Cook por suposta fraude hipotecária anterior ao cargo, caso que já chegou à Suprema Corte.

A Visão de Warsh

Embora historicamente conhecido como um "falcão" (favorável a juros altos para conter a inflação), Warsh mudou seu discurso recentemente. Ele defende que as novas tarifas comerciais não causarão inflação persistente e pede uma "mudança de regime" no Fed.

Sua proposta central envolve uma coordenação mais estreita entre o Fed e o Tesouro, sugerindo uma reformulação do histórico acordo de 1951 que garante a autonomia da política monetária. Warsh argumenta que reduzir o balanço patrimonial do banco daria mais margem para cortes nos juros de curto prazo.

Se confirmado pelo Senado, Warsh terá o desafio de liderar um comitê de 12 membros onde o presidente não detém poder absoluto. Analistas de mercado alertam que qualquer percepção de submissão política pode abalar a confiança dos investidores e a estabilidade dos mercados globais.

O próprio Warsh já definiu a independência do Fed como "preciosa", mas ressalva que tal autonomia não deve ser absoluta em todas as esferas de atuação do banco.

CORTE DE JUROS

Donald Trump, afirmou, em comentários antes de assinar ordens executivas nesta sexta-feira, que "certamente" o novo indicado para a presidência do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Kevin Warsh, deseja cortar as taxas de juros. No entanto, Trump negou que Warsh tenha se comprometido em flexibilizar a política monetária dos EUA, quando assumir a posição.

"Warsh não se comprometeu a reduzir as taxas de juros e seria inapropriado pedir a ele que as reduzisse. Provavelmente conversarei com ele sobre isso, já que ele quer reduzi-las", disse Trump, ao reiterar que não haverá pressão da Casa Branca nesse sentido.

*Com Estadão Conteúdo

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