Trump expõe mensagem privada de Macron e intensifica pressão sobre a França antes de reunião em Paris
O presidente dos EUA divulgou o conteúdo de uma conversa sobre a Groenlândia e ameaçou taxar vinhos franceses em 200% para forçar a adesão de Paris
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou suas redes sociais nesta terça-feira (20) para expor o conteúdo de uma mensagem privada enviada pelo presidente francês, Emmanuel Macron. O vazamento ocorre em um momento de alta tensão diplomática, motivada pelas pretensões americanas de anexar a Groenlândia e pela criação de um novo órgão internacional de segurança sob liderança de Washington.
Na mensagem divulgada, Macron expressa perplexidade com a postura de Trump em relação ao território da Groenlândia, afirmando não "entender" as recentes investidas dos EUA contra o território dinamarquês. Apesar das divergências, o líder francês tentou manter um tom conciliador, sugerindo que os dois países estão "totalmente alinhados sobre a Síria" e que poderiam "construir grandes coisas" em relação ao Irã.
Macron também convidou Trump para um jantar em Paris nesta quinta-feira (22), onde propôs uma reunião de cúpula com líderes do G7 para debater formalmente a questão da Groenlândia.
Ofensiva tarifária
A resposta de Washington, no entanto, veio acompanhada de ameaças econômicas. Trump afirmou que pretende impor uma tarifa de 200% sobre vinhos e champanhes franceses. O objetivo declarado da medida é pressionar o Palácio do Eliseu a aderir ao "Conselho da Paz", uma iniciativa anunciada por Trump para atuar em conflitos mundiais, como a guerra em Gaza, mas que tem sido vista com ceticismo por diplomatas europeus, que temem o enfraquecimento da ONU.
Até o momento, fontes ligadas ao governo francês indicam que Macron pretende recusar o convite para integrar o conselho.
Crise na Europa
A postura imperialista de Trump em seu segundo mandato tem gerado uma onda de indignação no continente europeu. O Parlamento Europeu já sinalizou que poderá congelar acordos comerciais com os EUA em retaliação às ameaças contra a Dinamarca e outros países contrários aos planos americanos na Groenlândia.
Enquanto isso, o primeiro-ministro do Canadá e líderes da Otan manifestaram apoio firme à soberania dinamarquesa sobre a ilha, classificando as ameaças de Washington como "inaceitáveis". O governo dos EUA, por sua vez, reitera que a Groenlândia é "vital" para a segurança nacional e para a construção de seu novo escudo antimísseis.