Quem é Erfan Soltani, manifestante condenado à morte no Irã por crime de "inimizade contra Deus"
Ativistas alertam para risco imediato de execução do protestante, de 26 anos, preso após protestos e condenado à morte sem julgamento
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O governo do Irã deve executar nesta quarta-feira (14) o manifestante Erfan Soltani, de 26 anos, preso por participação em protestos contra o regime. A informação foi divulgada por organizações internacionais de direitos humanos, que apontam falhas graves no processo judicial.
O jovem foi preso na última quinta-feira (8), nas proximidades de sua casa, no distrito de Fardis, em Karaj, de acordo com a Hengaw Organization for Human Rights. Durante três dias, familiares não tiveram qualquer informação sobre seu paradeiro. No domingo (11), autoridades confirmaram que ele estava sob custódia e já havia sido condenado à morte.
Segundo o portal Iran Wire, Soltani está detido na Prisão de Ghezel (Qezel) Hesar, na província de Alborz. Ativistas afirmam que Soltani não teve acesso a advogado, não passou por um julgamento público e não pôde apresentar defesa. Pessoas próximas ao jovem relataram ao portal NDTV que a família teve autorização para apenas dez minutos de visita, descrita como a primeira e última antes da execução.
Quem é Erfan Soltani
Erfan Soltani tem 26 anos e foi detido durante protestos nacionais contra o governo iraniano registrados na cidade de Karaj. Segundo organizações de direitos humanos, ele foi condenado por moharebeh, termo jurídico que significa “inimizade contra Deus” e que é frequentemente aplicado a manifestantes e opositores políticos no Irã.
Apaixonado por moda, Soltani atuava na indústria do vestuário e havia iniciado recentemente um emprego em uma empresa privada do setor. De acordo com informações repassadas à família, ele vinha recebendo mensagens ameaçadoras atribuídas a fontes de segurança e relatava estar sob vigilância constante. Mesmo diante dos alertas e do risco crescente, decidiu manter a participação nos protestos contra o regime, recusando-se a recuar, conforme informou uma fonte ao portal IranWire.
A organização Hengaw acrescenta que, devido ao bloqueio da internet e às severas restrições de comunicação impostas pelas autoridades iranianas, não há informações confirmadas sobre o estado físico e psicológico de Soltani. Até o momento, o governo iraniano não se pronunciou oficialmente sobre a execução. Organizações internacionais seguem pressionando por esclarecimentos e pela suspensão da sentença.
Protestos no Irã
Os protestos generalizados que ocorrem no Irã há pelo menos duas semanas já deixaram um saldo de pelo menos 190 mortos. O número foi divulgado, neste domingo (11), pela ONG Iran Human Rights, que faz o monitoramento da situação do País.
Os atos estão sendo realizados contra o regime do aiatolá Ali Khamenei. E se intensificaram, nos últimos dias, por causa das denúncias de violência policial contra os manifestantes e até confronto entre eles.
Diante da escalada dos protestos e mortes, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, pediu, neste domingo, que a população mantenha distância do que chamou de "terroristas e badernistas".
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