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UE aprova acordo comercial com Mercosul após 25 anos de negociações

Pacto cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, amplia acesso a mercados e reacende debate sobre impactos ao setor agrícola europeu

Por Eduardo Scofi Publicado em 09/01/2026 às 11:46 | Atualizado em 09/01/2026 às 17:44

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Com agências

A União Europeia aprovou nesta sexta-feira (9) o acordo comercial com o Mercosul, encerrando um processo de negociações que se arrastava há mais de 25 anos. A decisão abre caminho para a formação de uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo países europeus e sul-americanos em um amplo pacto econômico.

O aval do bloco europeu ocorre em um contexto de tensões no cenário internacional, especialmente nas relações transatlânticas durante o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Nesse ambiente, a Comissão Europeia acelerou os esforços para concluir o acordo, após o fechamento das negociações com Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, em dezembro de 2024.

Resistências de países

Apesar da aprovação, o tratado enfrentou resistência interna, principalmente de países como a França, que manifestaram preocupação com possíveis impactos sobre os agricultores europeus.

O acordo prevê a redução ou eliminação de tarifas para produtos industriais da União Europeia, como automóveis e vinhos, ao mesmo tempo em que amplia o acesso de produtos agrícolas do Mercosul, especialmente a carne bovina, ao mercado europeu.

Para contornar as críticas, o texto inclui cláusulas específicas voltadas à proteção do setor agrícola europeu, buscando equilibrar a abertura comercial com salvaguardas econômicas e ambientais. A ratificação agora coloca o acordo em fase decisiva para implementação, com potencial de redefinir o fluxo comercial entre os dois blocos.

Repercussão

No Brasil, a decisão foi comemorada por lideranças políticas e empresariais. Responsável por promover os produtos e serviços brasileiros no exterior, a Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (ApexBrasil) afirma que o acordo estabelece um mercado de quase US$ 22 trilhões, com o potencial de incrementar as exportações brasileiras para a União Europeia em cerca de US$ 7 bilhões.

“Estamos falando de uma população de mais de 700 milhões de habitantes e de um PIB de perto de US$ 22 trilhões. Só perde para o dos Estados Unidos, em torno de US$ 29 trilhões, e supera o da China, que gira em torno de US$ 19 trilhões”, comentou o presidente da agência, Jorge Viana, em nota.

Viana também destacou a qualidade da pauta exportadora brasileira com o bloco europeu: “Mais de um terço daquilo que o Brasil exporta para a região é composto de produtos da indústria de processamento.”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou, nesta sexta-feira (9), a aprovação do aguardado acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. A confirmação veio no início da tarde, anunciada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, após votação favorável por ampla maioria dos Estados-membros do bloco europeu.

Nas redes sociais, Lula classificou o desfecho como "uma vitória do diálogo, da negociação e da aposta na cooperação e na integração entre os países e blocos". Para o mandatário brasileiro, que atuou diretamente na articulação diplomática — especialmente no fim do ano passado, quando o Brasil presidia o bloco sul-americano —, o tratado é uma sinalização vital em favor do comércio internacional.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), manifestou-se favoravelmente à conclusão das negociações entre o Mercosul e a União Europeia. Em publicação feita na rede social X (antigo Twitter) o parlamentar celebrou o entendimento entre os blocos e projetou impactos positivos diretos na economia brasileira, citando especificamente a geração de postos de trabalho.

Para Motta, a assinatura do tratado representa uma vitória da diplomacia e da abertura comercial em um momento global de tendências contrárias. "Foi a abertura entre as nações que elevou a civilização, ampliou a prosperidade e reduziu conflitos ao longo da história", escreveu.

O acordo prevê redução imediata de tarifas para máquinas e equipamentos de transporte como motores e geradores para energia elétrica, motores de pistão (autopeças) e aviões. Todos representam áreas estratégicas para inserção competitiva do Brasil.

Também haverá oportunidade positiva para couro e peles, pedras de cantaria, facas e lâminas e produtos químicos. Haverá redução gradativa das tarifas, até zerá-las, sobre diversas commodities (sujeitos a cotas).

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