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Audiência de custódia de Nicolás Maduro começa em Nova York; ex-líder venezuelano se declara inocente

Capturado pelos Estados Unidos no fim de semana, Maduro afirmou ainda ser o presidente da Venezuela e disse estar "sequestrado"

Por Pedro Beija Publicado em 05/01/2026 às 14:55

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*Com informações da Folha de São Paulo

A audiência de custódia de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela deposto após ser capturado pelos Estados Unidos no último fim de semana, começou na tarde desta segunda-feira (5) em um tribunal federal de Nova York. Diante do juiz Alvin Hellerstein, o venezuelano se declarou inocente, afirmou continuar sendo o presidente de seu país e alegou estar “sequestrado” pelas autoridades americanas.

Maduro entrou na sala vestindo o uniforme laranja da prisão, com uma camisa azul-marinho por cima, algemas nos tornozelos e fone de ouvido para tradução. Ao seu lado, estava a esposa, Cilia Flores, que também participou da audiência e se declarou inocente das acusações. Segundo a imprensa americana, a expectativa é que o juiz determine a prisão preventiva do casal.

Durante o trâmite, considerado burocrático pela Justiça dos EUA, Maduro tentou se manifestar diversas vezes, mas foi interrompido pelo magistrado.

“Sou inocente. Não sou culpado. Sou um homem decente”, afirmou o venezuelano em espanhol, antes de ser advertido de que “haverá tempo e lugar para abordar tudo isso”. Em outro momento, insistiu: “Ainda sou o presidente do meu país”.

Questionado pelo juiz, o promotor informou que Maduro foi detido às 11h30 do dia 3 de janeiro, no horário de Nova York, sem detalhar a operação militar que resultou em sua captura em Caracas. Segundo os autos, o ex-líder venezuelano disse ter tido acesso às acusações “pela primeira vez” e alegou desconhecer seus direitos.

Maduro vai responder na Justiça norte-americana por crimes como narcoterrorismo, conspiração para o tráfico internacional de cocaína, posse ilegal de armas e explosivos e conspiração para o uso desses armamentos. De acordo com o Departamento de Justiça dos EUA, ele seria o chefe de uma organização criminosa formada por autoridades políticas e militares venezuelanas, que teria atuado por décadas em parceria com grupos classificados pelos Estados Unidos como terroristas.

Na nova acusação, revelada no sábado, os promotores afirmam que Maduro supervisionou pessoalmente uma rede de tráfico de cocaína patrocinada pelo Estado, com atuação conjunta de organizações como os cartéis mexicanos de Sinaloa e Zetas, as Farc, da Colômbia, e a gangue venezuelana Tren de Aragua. O venezuelano já havia sido indiciado pela primeira vez em 2020, no âmbito de investigações contra autoridades e ex-integrantes do governo da Venezuela.

Do lado de fora do tribunal, no centro de Manhattan, manifestantes se reuniram tanto para protestar contra a atuação dos Estados Unidos quanto para comemorar a prisão de Maduro. Os grupos foram mantidos separados por barreiras de segurança.

Ainda durante a audiência, o juiz marcou uma nova sessão para o dia 17 de março, quando Maduro e Cilia Flores deverão prestar depoimento. O prazo para a conclusão do processo é incerto, mas a imprensa americana aponta que o julgamento pode se estender por mais de um ano.

Situação política na Venezuela

Após a deposição de Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o cargo de presidente interina da Venezuela, por decisão do Tribunal Supremo de Justiça do país. Segundo a Corte, a medida busca “garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da Nação”.

As Forças Armadas venezuelanas também reconheceram Rodríguez como presidente interina, com apoio do ministro da Defesa, Vladimir Padrino, que anunciou a permanência dela no cargo por 90 dias. No domingo (4), o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump afirmou que o país estaria “no comando” da Venezuela após a captura de Maduro, declaração que gerou repercussão internacional.

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