Mundo | Notícia

"Era algo que todos esperávamos": imigrante venezuelano no Recife relata emoção após captura de Nicolás Maduro

Venezuelano radicado no Recife, Henry comenta a captura de Maduro, relembra episódios de repressão e fala sobre os próximos passos da oposição

Por JC Publicado em 03/01/2026 às 18:10 | Atualizado em 03/01/2026 às 18:14

Clique aqui e escute a matéria

A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, na madrugada deste sábado (3), provocou reações imediatas entre venezuelanos que vivem fora do país. No Recife, o editor de mídias da TV Jornal, Henry Luna, 40 anos, relatou emoção e alívio ao comentar o episódio durante entrevista ao programa Comando Geral, da Rádio Jornal, apresentado pela jornalista Simone Oliveira.

"Quando comecei a ver os vídeos, não pude deixar de chorar. É uma emoção muito grande, porque era algo que todos esperávamos", afirmou. Henry foi acordado por volta das 6h pela sogra, que informou sobre bombardeios em bases militares venezuelanas e a prisão de Maduro.

Após confirmar a veracidade das imagens e informações com contatos políticos que mantém no país, a emoção tomou conta. 

Para ele, a intervenção estrangeira, embora extrema, tornou-se o único caminho possível diante da repressão armada do regime. Henry relembrou episódios de violência que testemunhou, como o uso de atiradores de elite contra jovens manifestantes e a atuação dos chamados "coletivos", grupos armados que reprimem a população civil.

MATIAS DELACROIX/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Movimentação no cais após explosões decorrentes de ataques no porto de La Guaira, Venezuela, neste sábado, 3 de janeiro de 2026 - MATIAS DELACROIX/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Aos 40 anos, Henri viveu a maior parte da vida sob o regime iniciado por Hugo Chávez, que chegou ao poder quando ele tinha 13 anos. Técnico em audiovisuais, atuou na linha de frente de diversos protestos e presenciou ataques contra civis desarmados. Recordou ter visto, ainda em 2002, imagens de Nicolás Maduro atirando contra o povo na Ponte Llaguno, em Caracas.

Diante do agravamento da crise, deixou a Venezuela em 2018. Passou pela Colômbia e enfrentou dificuldades no Brasil. Chegou a dormir no chão de aeroportos, até ser acolhido no Recife, em dezembro de 2019, com apoio de instituições religiosas.

Apesar do cenário de explosões e da fumaça sobre Caracas, Henry rejeita a ideia de incerteza política. Segundo ele, a oposição, liderada por María Corina Machado e Edmundo González, já possui um plano estruturado para a reconstrução do país, especialmente nas áreas econômica e educacional.

Ele também destacou a coincidência histórica de a captura de Maduro ter ocorrido no dia 3 de janeiro, mesma data em que o ditador panamenho Manuel Noriega foi preso, em 1990. "Não temos incertezas. Essas incertezas já passaram hoje. De hoje para frente, é só executar os planos", afirmou, ao ressaltar que a prioridade é garantir a segurança da população diante da atuação de grupos armados nas ruas.

Ao encerrar a entrevista, explicou que fez questão de participar presencialmente no estúdio para evitar ruídos na mensagem. "A Venezuela, para mim, não é um país, é um sentimento", destacou.

Compartilhe

Tags