Trump aprova plano para construir 2 novos navios de guerra em meio a tensões com Venezuela
Anúncio foi acompanhado de duras críticas à atual dinâmica da indústria de defesa, a qual o presidente classificou como lenta e excessivamente onerosa
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*Com agências internacionais
Em um pronunciamento realizado nesta segunda-feira (22) em sua residência em Mar-a-Lago, na Flórida, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o desenvolvimento de uma nova categoria de embarcações militares batizada como "Classe Trump". O republicano descreveu os futuros navios como significativamente superiores em tamanho, velocidade e poder bélico em relação a qualquer unidade já fabricada pela Marinha americana, projetando uma frota que deve ser iniciada com duas unidades e expandida para até 25 embarcações.
O anúncio foi acompanhado de duras críticas à atual dinâmica da indústria de defesa, a qual o presidente classificou como lenta e excessivamente onerosa. Trump revelou que planeja assinar ordens executivas para restringir a remuneração de executivos, o pagamento de dividendos e a recompra de ações em empresas contratadas que apresentarem atrasos ou estouros orçamentários em projetos militares. A medida visa acelerar a produção de equipamentos estratégicos, priorizando o investimento direto em tecnologia e construção naval em detrimento de ganhos financeiros imediatos de acionistas do setor.
TENSÃO COM A VENEZUELA
Além dos planos para a Marinha, o presidente abordou as recentes tensões navais envolvendo a Venezuela. Trump confirmou que o governo dos Estados Unidos manterá a posse do petróleo apreendido em navios próximos à costa venezuelana, indicando que o combustível poderá ser comercializado ou integrado às reservas estratégicas americanas. Na ocasião, ele também garantiu que as forças dos EUA continuam a perseguição ao petroleiro Bella 1, que se recusou a se submeter à apreensão e navegava para carregar óleo no país sul-americano.
A movimentação militar e econômica ocorre em um contexto de pressão direta sobre a administração de Nicolás Maduro. Trump afirmou ter mantido diálogos com petroleiras americanas que tiveram ativos expropriados pelo governo venezuelano, discutindo cenários de transição política no país. Enquanto a indústria de defesa se prepara para uma reunião com o governo na próxima semana, o cenário global observa o endurecimento da postura de Washington tanto na renovação de seu arsenal tecnológico quanto no controle de recursos energéticos na América Latina.
CRÍTICAS DA CHINA
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China teceu críticas a ações recentes envolvendo Estados Unidos e Japão. Segundo o governo chinês, sobre o país norte-americano, a apreensão de um navio petroleiro ligado à Venezuela pelos EUA teve viés "arbitrário" e constitui "uma grave violação do direito internacional".
O porta-voz reiterou que a China "sempre se opõe a sanções unilaterais ilegais, sem base no direito internacional e sem autorização do Conselho de Segurança da ONU", acrescentando que a Venezuela tem o direito de desenvolver cooperação externa e defender seus direitos e interesses legítimos.
Ao tratar de declarações feitas por um alto funcionário japonês sobre a possibilidade de o país possuir armas nucleares, por sua vez, o porta-voz afirmou que a China rechaça as declarações. De acordo com ele, comentários desse tipo representam "uma provocação aberta à ordem internacional do pós-guerra e ao regime de não proliferação nuclear", além de uma "grave ameaça à paz e à estabilidade regionais e internacionais".
O governo chinês sustenta que tais falas não podem ser tratadas como atitudes individuais e defende que a comunidade internacional mantenha elevada vigilância e firme oposição a esse tipo de posicionamento por parte do Japão.
As críticas chinesas ocorrem em meio a reações regionais às discussões no Japão sobre segurança e defesa. A Coreia do Norte divulgou neste domingo um comunicado via sua agência de notícias a KCNA, no qual acusa o Japão de buscar a nuclearização e afirma que tal movimento "lançaria uma grande catástrofe sobre a humanidade", defendendo que essas tentativas sejam "totalmente bloqueadas".