Governo Trump fala em "meios militares" ao responder sobre Brasil e julgamento de Bolsonaro
Resposta foi ao site Public News, que questionou se o governo americano considerava ações adicionais caso Bolsonaro fosse condenado
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A Casa Branca, por meio da porta-voz Karoline Leavitt, afirmou nesta terça-feira (9) que o governo de Donald Trump está preparado para usar "meios militares" para "proteger a liberdade de expressão ao redor do mundo". A declaração foi feita em referência a uma possível condenação do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro.
Leavitt respondeu a uma pergunta do repórter Michael Shellemberger, do site Public News, que questionou se o governo americano considerava ações adicionais caso Bolsonaro fosse condenado e impedido de concorrer. "O presidente [dos EUA, Donald Trump] não tem medo de usar meios econômicos nem militares para proteger a liberdade de expressão ao redor do mundo", disse a porta-voz. Ela completou que "a liberdade de expressão é a questão mais importante dos nossos tempos", e por isso o governo já havia tomado ações contra o Brasil.
Apesar da declaração, Leavitt ressaltou que "não há nenhuma ação adicional" contra o governo brasileiro no momento. A fala da porta-voz foi repostada pela Embaixada dos Estados Unidos no Brasil.
RESPOSTA DO BRASIL
Por meio das redes sociais, a ministra Gleisi Hoffmann criticou a fala da Casa Branca. "Não bastam as tarifas contra nossas exportações, sanções ilegais contra ministros do governo, STF e suas famílias. Agora ameaçam invadir o Brasil para livrar Jair Bolsonaro da cadeia", disse.
Em outra frente, o Itamaraty disse, em nota, que o "governo brasileiro condena o uso de sanções econômicas ou ameaças de uso da força contra a nossa democracia".
"O primeiro passo para proteger a liberdade de expressão é justamente defender a democracia e respeitar a vontade popular expressa nas urnas. É esse o dever dos três Poderes da República, que não se intimidarão por qualquer forma de atentado à nossa soberania. O governo brasileiro repudia a tentativa de forças antidemocráticas de instrumentalizar governos estrangeiros para coagir as instituições nacionais", pontuou.