Trump diz que, caso haja retaliação de algum país, EUA irão aumentar taxas
Durante o anúncio das tarifas recíprocas, Trump justificou a imposição de sobretaxas - em especial ao México e ao Canadá, alegando déficits de países

Texto assinado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o anúncio das taxas recíprocas que serão impostas a produtos importados - diz que, "caso algum parceiro comercial retalie contra os EUA em resposta a essa medida, seja por meio de tarifas sobre exportações americanas ou outras ações, posso aumentar ou expandir o escopo das tarifas impostas, a fim de garantir sua eficácia". De acordo com o documento, a medida tem por objetivo enfrentar "ameaça incomum e extraordinária" à segurança nacional e econômica dos EUA. O decreto entra em vigor no sábado, dia 5 de abril, para a tarifa geral mínima de 10%. Taxas adicionais impostas a alguns países passarão a valer a partir de quarta-feira da semana que vem, dia 9.
Trump afirmou que os países que desejam isenções devem retirar suas tarifas, reiterando que "tarifas recíprocas são tarifas bondosas".
"Nunca tivemos uma transformação no nosso país como essa de agora, que já começou". O presidente dos EUA criticou o antigo Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) - que foi substituído pelo USMCA (Acordo Estados Unidos-México-Canadá), em 2020 -, afirmando que o país "perdeu muito dinheiro" com o acordo. Ele voltou a repetir o discurso de sua campanha eleitoral e afirmou que o Nafta foi um dos responsáveis pela perda de quase 4 milhões de empregos nos Estados Unidos.
IMPOSIÇÃO DE SOBRETAXAS
Durante o anúncio das tarifas recíprocas, Trump justificou a imposição de sobretaxas - em especial ao México e ao Canadá - afirmando que os EUA não podem "pagar os déficits" de ambos os países.
Anteriormente, Trump já havia dito que as tarifas cobradas pelos vizinhos americanos a produtos importados dos EUA ajudavam as nações a pagar suas dívidas internas. "Os países tiraram muita riqueza dos EUA", afirmou. Ele também disse que, embora tenha respeito pelo líder chinês, Xi Jinping, e pelo país, "eles (os chineses) estavam se aproveitando" dos EUA. "Hoje, estamos priorizando os trabalhadores e colocando os EUA em primeiro lugar. Os outros países podem nos tratar mal. Vamos calcular o total (desse tratamento) nas tarifas", declarou.
Para o presidente americano, as tarifas vão trazer maior crescimento para os EUA e baratear os produtos para os consumidores. Segundo ele, várias empresas, como Meta, Eli Lilly, Honda e Hyundai, vão investir nos EUA. "Parece que até agora teremos investimentos de US$ 6 trilhões."
AUTOMÓVEIS
O Federal Register, equivalente ao Diário Oficial nos EUA, deve publicar o documento assinado pelo presidente Donald Trump que prevê a imposição de tarifas de 25% sobre a importação de automóveis e peças automotivas, sob a alegação de riscos à segurança nacional. As novas taxas entram em vigor hoje para veículos e em 3 de maio para peças. Segundo o texto, a tarifa de 25% será aplicada a veículos como sedãs, SUVs, picapes e vans, além de componentes como motores, transmissões e sistemas elétricos.
Em artigo de opinião publicado no USA Today, o conselheiro sênior para o Comércio da Casa Branca, Peter Navarro, defende que as tarifas de 25% sobre carros e peças automotivas importadas são essenciais para recuperar a indústria americana. Navarro argumenta que a medida visa reverter décadas de "práticas comerciais desleais".
Navarro defende que as tarifas de Trump incentivam a volta da produção de motores e transmissões para os EUA, reduzindo a dependência externa. "Não é protecionismo, é restauração", escreve. "Restauração de empregos bem remunerados e da força industrial necessária para a defesa nacional."
"Não se trata apenas de proteger a indústria, mas de restaurar a capacidade produtiva completa - desde um parafuso até a carroceria - e, com ela, a prosperidade da classe trabalhadora americana", afirma.