PALESTINA | Notícia

Negociações em Doha buscam retomada de cessar-fogo em Gaza durante festividades religiosas

Negociação que abrange o Hamas, junto a mediadores egípicos e catarianos, envolveria a troca de reféns israelenses por prisioneiros palestinos

Por AFP, Túlio Feitosa Publicado em 27/03/2025 às 19:22

Fontes palestinas próximas ao Hamas informaram que uma nova rodada de negociações cruciais para restabelecer o cessar-fogo na Faixa de Gaza teve início nesta quinta-feira (27) em Doha. O movimento islamista palestino está se reunindo com mediadores egípcios e catarianos.

Uma delegação egípcia chegou a Doha para mediar o diálogo, com foco na retomada da trégua, na troca de reféns israelenses por prisioneiros palestinos e na garantia da entrada de ajuda humanitária essencial em Gaza, segundo informações de um meio de comunicação egípcio.

"Uma reunião entre a delegação egípcia encarregada das negociações em Doha e uma delegação do Hamas começou esta tarde, com o objetivo de concretizar um cessar-fogo", declarou uma fonte sob condição de anonimato. A fonte também confirmou a participação de mediadores catarianos nas discussões.

Proposta de Trégua Coincide com Festividades Religiosas

A expectativa é que a trégua seja estabelecida durante o Aid al Fitr, festividade muçulmana que marca o final do Ramadã, com início previsto para domingo, e a Páscoa judaica, que ocorrerá de 12 a 19 de abril, conforme relatado pela fonte.

"Os mediadores estão mantendo conversas intensas com todas as partes para selar um cessar-fogo e avançar para a segunda fase do acordo", enfatizou a fonte, ressaltando que o Hamas manifestou sua abertura para responder "positivamente" a qualquer proposta que finalize os combates.

Outra fonte palestina próxima ao Hamas confirmou as negociações, mas indicou que, até o momento, "nenhum avanço" foi alcançado.

As negociações indiretas entre Hamas e Israel, lideradas por Egito, Catar e Estados Unidos, estão paralisadas desde o término da primeira fase da trégua, que vigorou de 19 de janeiro a 1º de março.

Na quarta-feira, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ameaçou expandir as operações em Gaza caso o Hamas não liberte os reféns restantes.

Em resposta, o movimento Hamas advertiu que os reféns "retornariam em caixões" se Israel persistir com os bombardeios em Gaza.

Consequências dos Ataques e Deslocamento Populacional

Desde a retomada dos ataques israelenses em 18 de março, pelo menos 855 palestinos perderam a vida no território, de acordo com o Ministério da Saúde do Hamas.

A intensificação das operações aéreas e terrestres israelenses interrompeu dois meses de relativa calma, levando o Hamas a retomar os ataques com foguetes contra Israel.

As Nações Unidas informaram que as recentes operações israelenses deslocaram 142 mil pessoas em sete dias e alertaram que restam apenas duas semanas de ajuda alimentar em Gaza, após Israel fechar as passagens para a ajuda humanitária em 2 de março.

Situação dos Reféns e Vítimas do Conflito

Dos 251 reféns sequestrados durante o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, 58 permanecem em Gaza, com 34 óbitos confirmados, segundo o exército israelense.

A ofensiva de represália de Israel resultou em pelo menos 50.183 mortes em Gaza, a maioria civis, conforme dados do Ministério da Saúde do Hamas.

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