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Adoção de pets na infância exige planejamento e adaptação da rotina familiar, orientam especialistas

A convivência com animais também pode ajudar crianças a lidarem melhor com emoções, ansiedade e frustrações do cotidiano

Por Aisha Vitória Publicado em 26/05/2026 às 15:03 | Atualizado em 02/06/2026 às 17:27

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O desejo de ter um animal de estimação costuma surgir cedo entre as crianças, seja pela convivência com amigos, influência de filmes ou pelo interesse em cuidar de um bichinho. Apesar do entusiasmo, especialistas alertam que a decisão de adotar um pet exige planejamento e avaliação da rotina da família.

Segundo Marcelo Tucci de Freitas, psicólogo e orientador educacional do Brazilian International School (BIS), em São Paulo, a convivência com animais pode trazer benefícios importantes para o desenvolvimento infantil, principalmente no aspecto emocional e social.

“Os pets favorecem o desenvolvimento da empatia, da afetividade e do senso de responsabilidade. A criança aprende, na prática, que existe outro ser com necessidades de cuidado, alimentação e atenção”, afirma.

De acordo com o especialista, a convivência com animais também pode ajudar crianças a lidarem melhor com emoções, ansiedade e frustrações do cotidiano. Além disso, o vínculo com os pets tende a estimular brincadeiras, interação e reduzir o tempo excessivo diante das telas.

Freitas destaca ainda que pequenas tarefas relacionadas ao animal podem contribuir para o desenvolvimento do senso de responsabilidade, desde que sejam adequadas à idade da criança e supervisionadas pelos adultos.

“A criança pode ajudar em rotinas simples, como colocar água e comida, organizar brinquedos do pet ou acompanhar passeios. Mas a responsabilidade principal pelo bem-estar do animal deve ser sempre dos adultos”, explica.

Adoção exige planejamento

Além da questão emocional, especialistas ressaltam que a adoção de um animal exige adaptação da rotina familiar e avaliação prática das condições da casa.

A médica veterinária Julia Orteiro Vieira afirma que fatores como espaço disponível, tempo para cuidados diários, custos e perfil da família devem ser considerados antes da escolha do pet.

“Um animal precisa de atenção, alimentação adequada, acompanhamento veterinário e cuidados constantes. Muitas famílias pensam apenas no momento da chegada do pet, mas ele fará parte daquela rotina por muitos anos”, diz.

Segundo a veterinária, a escolha não deve ser baseada apenas na aparência do animal ou no desejo da criança. Algumas espécies e raças demandam mais espaço, exercícios físicos e estímulos diários, o que pode dificultar a adaptação dependendo da realidade da família.

Ela também alerta para situações em que a família passa muito tempo fora de casa ou costuma viajar com frequência, já que alguns animais sofrem mais com longos períodos sozinhos.

Perfil da família deve influenciar escolha

De acordo com Julia Vieira, famílias com crianças pequenas costumam se adaptar melhor a animais mais dóceis e sociáveis. Já famílias mais ativas podem preferir cães com maior nível de energia e necessidade de atividades físicas.

Para quem mora em locais menores ou possui uma rotina mais reservada, gatos podem ser uma alternativa mais compatível, desde que o ambiente seja adaptado às necessidades do animal.

A veterinária também chama atenção para a adoção impulsiva motivada por vídeos na internet ou modismos.

“Nem sempre o animal que a criança deseja é o mais adequado para aquela realidade. É importante pesquisar o comportamento da espécie, o nível de manejo necessário e as necessidades do pet antes da adoção”, afirma.

Pet não é brinquedo

Outro ponto destacado pelos especialistas é a necessidade de ensinar desde cedo que o animal não deve ser tratado como brinquedo.

Segundo Julia Vieira, a interação entre crianças e pets deve ser supervisionada, principalmente nos primeiros meses de convivência e com crianças menores.

“Os adultos precisam orientar sobre respeito ao espaço do animal, evitar brincadeiras bruscas e ensinar a identificar sinais de desconforto ou estresse do pet”, explica.

A veterinária reforça ainda que a adoção deve ser encarada como um compromisso de longo prazo. Dependendo da espécie, um animal pode viver mais de 10 ou até 20 anos.

“Antes de adotar, a família precisa avaliar se terá condições de oferecer qualidade de vida ao pet durante toda a vida dele”, conclui.

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