Mortes no trânsito: Mãe e filho morrem em grave sinistro de trânsito com moto na BR-104, em Caruaru
Jovem de 19 anos levava a mãe ao trabalho quando perdeu o controle do veículo em uma curva. Situação acende alerta sobre segurança para o uso de motos
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Mãe e filho morreram ao caírem de uma motocicleta enquanto trafegavam na BR-104, em Caruaru, no Agreste de Pernambuco. O sinistro de trânsito aconteceu neste domingo (24/5), em uma das alças de acesso à BR-232, e teria sido provocado por inabilidade do jovem de 19 anos, que teria perdido o controle do veículo numa curva.
As vítimas foram identificadas como Cibelly da Conceição, de 38 anos, e o filho, Sandriel Hugo Ferreira, 19 anos. Segundo informações apuradas pela TV Jornal Interior, Sandriel levava a mãe ao trabalho em um restaurante no Parque 18 de Maio, no Centro de Caruaru, onde Cibelly trabalhava há aproximadamente três anos.
O sinistro de trânsito aconteceu quando os dois seguiam em uma motocicleta Honda 160, e ao entrarem em uma curva, nas proximidades da Uninassau e da Central de Abastecimento de Caruaru (Ceaca), o condutor perdeu o controle do veículo e colidiu violentamente contra a mureta da rodovia.
Segundo relatos apurados no local, tudo indica que o condutor estaria em alta velocidade no momento do impacto. Cibelly morreu instantaneamente no local, enquanto o filho chegou a ser socorrido para o Hospital Regional do Agreste, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu após dar entrada na unidade.
A Polícia Civil de Pernambuco confirmou que as investigações sobre as circunstâncias exatas do ocorrido seguem em andamento.
A EPIDEMIA SOBRE DUAS RODAS EM PERNAMBUCO E NO PAÍS
O caso de Cibelly e Sandriel não é um fato isolado, mas um reflexo trágico de uma realidade de Pernambuco e do País. A explosão de sinistros envolvendo motocicletas tornou-se uma questão de saúde pública - puxada pela inabilidade e imprudência na condução do veículo. Em Pernambuco, especialmente na Região Metropolitana do Recife e em polos do interior como Caruaru, as motocicletas protagonizam a maioria (entre 70% e 80%) das internações e óbitos no trânsito. A combinação de alta velocidade, precariedade na fiscalização e a vulnerabilidade inerente ao veículo tem gerado uma "epidemia" de traumas graves.
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Os atendimentos a ocupantes de motocicletas - não só condutores, mas depois do Uber e 99 Moto também passageiros - vítimas do trânsito em hospitais públicos de Pernambuco geraram um impacto de R$ 24,4 milhões aos cofres públicos entre os anos de 2023 e 2025. Segundo dados do Ministério da Saúde, a média anual de gastos no Estado é de R$ 8,1 milhões, tendo atingido o pico de R$ 10,4 milhões em 2024.
Para efeitos de comparação, o montante total gasto no período citado seria suficiente para construir mais de 20 Unidades Básicas de Saúde (UBS), considerando as tabelas de custos do governo federal. O cenário local reflete uma tendência nacional preocupante. Em 2025, o governo federal revelou que as internações de ocupantes de motocicletas no Brasil consumiram mais de R$ 2 bilhões, representando 55,2% de todo o investimento hospitalar destinado a vítimas de sinistros de trânsito.
GRAVIDADE DAS LESÕES E PRESSÃO SOBRE O SISTEMA DE SAÚDE
Por trás das cifras milionárias que toda a sociedade brasileira está pagando, o drama humano revela a complexidade do tratamento necessário para essas vítimas. O perfil mais comum dos sinistros de trânsito com ocupantes de motos em Pernambuco envolve fraturas e politraumatismos, lesões consideradas graves que exigem internações prolongadas e múltiplas intervenções cirúrgicas. Somente em 2025, o estado contabilizou 14.910 ocorrências desse tipo.
Os indicadores mais recentes mostram que o desafio permanece crítico em 2026. Em 2025, Pernambuco registrou uma média de 93 vítimas por dia em sinistros de moto. Até o dia 14 de abril de 2026, a Secretaria de Saúde do estado (SES-PE) já havia contabilizado 7.970 vítimas, o que representa uma média diária de 77 ocorrências e já equivale a 23,4% do total registrado em todo o ano anterior. Das vítimas deste ano, 3.563 sofreram fraturas e 329 apresentaram quadros de politraumatismo.