Maracatu Rural Cambinda Brasileira celebra 108 anos em clima de Carnaval na Zona da Mata Norte
Patrimônio Vivo de Pernambuco, agremiação comemora mais de um século de tradição neste sábado (10), no Engenho Cumbe, em Nazaré da Mata
O Maracatu de Baque Solto Cambinda Brasileira, considerado a mais antiga agremiação de cultura popular em atividade ininterrupta do Brasil e uma das poucas ainda sediadas em área rural, celebra 108 anos de história neste sábado (10).
A comemoração acontece no terreiro do Engenho Cumbe, na Zona Rural de Nazaré da Mata, na Mata Norte de Pernambuco, reunindo grupos culturais da região em uma grande festa aberta ao público, a partir das 20h.
Sobre o Cambinda Brasileira
Reconhecido como Patrimônio Vivo de Pernambuco, o Cambinda Brasileira abre simbolicamente o ciclo carnavalesco da Zona da Mata Norte e reafirma o papel central do maracatu rural na identidade cultural do Estado.
A celebração, que integra o calendário cultural pernambucano, transforma o terreiro em espaço de memória, resistência e valorização da cultura afro-brasileira construída por gerações de trabalhadores do campo, mestres da oralidade e famílias inteiras que mantêm viva a tradição.
Com cerca de 160 integrantes, o maracatu de baque solto se destaca pelo forte impacto visual e simbólico. Os caboclos de lança ocupam o espaço como figuras monumentais, enquanto a corte real se organiza como um reino popular em movimento, reunindo personagens que carregam referências afro-indígenas e ancestrais.
Cada gesto, traje e elemento possui significado próprio, refletindo pertencimento e memória coletiva.
Composição do maracatu
No centro da brincadeira está a poesia cantada, conduzida pelo mestre Anderson e pelos contra-mestres, entre eles Davi Coutinho.
A musicalidade do baque solto completa a experiência. Metais, gonguês, vozes e a percussão marcada no corpo e no chão constroem uma sonoridade ancestral que envolve brincantes e público, reafirmando o caráter ritualístico do maracatu, no qual música, dança e expressão simbólica são inseparáveis.
Ao longo de mais de um século, o Cambinda Brasileira ultrapassou os limites do terreiro e tornou-se referência nacional e internacional. A agremiação inspira filmes, documentários, livros e pesquisas acadêmicas, sem perder sua função original como prática cultural viva, enraizada no território canavieiro da Mata Norte.
Programação
A comemoração dos 108 anos integra o projeto Maracatu Cambinda Brasileira – Ciclo de Celebrações, aprovado no Funcultura Geral 2023/2024, na categoria de ações da salvaguarda do patrimônio cultural imaterial.
Com o incentivo da Fundarpe, da Secretaria de Cultura e do Governo de Pernambuco, a iniciativa reforça a importância das políticas públicas para a preservação das culturas tradicionais. A programação conta ainda com acessibilidade em Libras.
A noite festiva reúne outras expressões culturais da Zona da Mata Norte. Entre as atrações convidadas está o Cavalo Marinho Boi Estrela, brinquedo popular que mistura teatro, música e dança, com personagens ligados ao universo canavieiro.
Também participa o grupo Os Ticuqueiros, que apresenta uma linguagem musical contemporânea inspirada na vivência do povo da Mata Norte, dialogando com a tradição sem romper com suas raízes.
A programação também inclui a participação do mestre Anderson Miguel, acompanhado da Ciranda Raiz da Mata Norte, representando uma nova geração de mestres que atualiza a tradição e amplia o alcance da ciranda e do maracatu para novos públicos e espaços.