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O Papa e a Inteligência Artificial

A encíclica de Leão XIV, Magnifica Humanitas, aborda a realidade hodierna a começar pela inteligência artificial que o mundo precisa saber lidar

Por JC Publicado em 21/06/2026 às 0:00

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PADRE BIU DE ARRUDA

A Magnifica Humanitas, primeira encíclica do papa Leão XIV, recém-lançada, aborda a realidade hodierna, a começar pela inteligência artificial, esse bicho papão, que o mundo precisa saber lidar, para que a dignidade humana não seja colocada em segundo plano. O papa ancora o seu texto em duas imagens bíblicas: a Torre de Babel (Gn 11) e a reconstrução das muralhas de Jerusalém (Ne 1). A partir dessas duas passagens bíblicas, é trabalhado o texto. É sabido de quem lê as Sagradas Escrituras que a construção da Torre de Babel foi um projeto meramente humano, contaminado pela empáfia, por isso não deu certo. Já a reconstrução das muralhas de Jerusalém deu certo, porque antes, houve oração, jejum e participação de todos. A comunhão e a cooperação foram os pilares daquele projeto.


O papa na sua encíclica Magnifica Humanitas, distribuída em cinco capítulos, aborda temas sensíveis, como a caminhada e missão da Igreja na história, a dignidade da pessoa humana, com o seu valor intrínseco, defende a propriedade privada e faz um resgate daquilo que advogou o seu predecessor na Rerum Novarum, levando em consideração a relação laboral com o advento da inteligência artificial. Afinal, é uma realidade sem volta. O papa chama a atenção, quando assim diz: “para salvaguardar a pessoa humana na era da inteligência artificial, devemos voltar a refletir sobre o bem comum, a destinação universal dos bens, a solidariedade e a justiça social”, sem perder de vista a dignidade da pessoa humana, a partir da concepção, como direito basilar para todos os outros.


Na sua encíclica, o papa esclarece que não deseja “apresentar um tratado sobre a inteligência artificial, mas, limita-se a recordar alguns elementos essenciais a um discernimento moral e social que salvaguarde o primado da pessoa humana”, explicitando que não se pode dar uma definição unívoca acerca da inteligência artificial. O papa chama a atenção, evidenciando que a inteligência artificial, por mais benéfica que seja ao ser humano, é desnuda do amadurecimento da relação interpessoal. Nela, não existe emoção; predicativo inerente ao ser humano. Demonstração inequívoca de que a tecnologia, por mais avançada que seja, não vai se igualar à pessoa humana como ser psicossocial. Sem esquecer que o fim último do ser humano é a eternidade. Alertou também para o uso da inteligência artificial com responsabilidade, transparência e gestão.


O papa chamou a atenção para a grandeza da pessoa humana perante as promessas da inteligência artificial, levando em consideração o paradigma tecnocrático e o poder digital, como também a responsabilidade de quem recorre à inteligência artificial, uma vez que o uso dela não é meramente técnico, pois ao usá-la, vidas humanas são afetadas, reputações, liberdade e tantos outros direitos. Por isso, toda prudência é pouca no seu manuseio, já que não há neutralidade nela.


Por fim, ele chama a atenção para a construção de uma sociedade justa, levando em consideração, o diálogo sincero, a necessidade da diplomacia e de tantos outros mecanismos que promovam a paz mundial. Ademais, pediu perdão pelo flagelo da escravidão que causou sofrimento e humilhação a tantos irmãos nossos que tiveram a sua imutável dignidade humana ferida.

Pe. Biu de Arruda – é pároco da Arquidiocese de Olinda e Recife na Paróquia de Santa Luzia – Estância

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