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O Valor do Perdão

Vemos que o perdão é sentimento que deve brotar livremente do interior do cristão pois afinal o mandamento do Divino Carpinteiro é perdoar sempre

Por JC Publicado em 07/06/2026 às 0:00

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PADRE BIU DE ARRUDA
Caro leitor, o perdão é uma decisão voluntária e consciente de liberar emoção de ressentimento contra o semelhante que nos feriu. O ato de perdoar alivia o próprio peso emocional. Perdão é uma atitude de libertar-se de mágoa. Na visão cristã, é um ato de graça e de misericórdia. É um reflexo do “perdão que recebemos de Deus em Cristo” (Ef 4,32). Com o perdão sincero, a pessoa liberta do coração todo sentimento de amargura; sem olvidar, que o perdão produz frutos bons, como a paz, a reconciliação, a cura o interior etc. Daí, a pessoa já entende o valor do perdão. Por isso, nada de guardar ressentimento no coração. Isso faz mal.


Nas Sagradas Letras, vemos que o perdão é sentimento que deve brotar livremente do interior do cristão. Afinal, o mandamento do Divino Carpinteiro é perdoar sempre. Não foi à toa que Ele disse: “perdoar setenta vezes sete” (Mt 18, 21). Com essa lição, depreende-se que o perdão deve ser ilimitado, pois o ato de perdoar sempre areja o nosso coração, deixando-o livre para a paz fazer morada. Conceder perdão ao irmão é um ato de amor próprio. Quem assim vive, não tem um coração acre. Pois, quem não perdoa ao semelhante e não perdoa a si mesmo vive sempre se punindo e, às vezes, esta punição pode deixar o coração humano petrificado, cheio de raiva, de ódio, de rancor. Ora, rancor destrói um coração que ama.


A pessoa que aprende a perdoar ao outro, aprende a perdoar a si mesmo. Talvez, perdoar a si mesmo seja difícil, contudo, é o mais cristalino perdão que dá sentido à vida. O sacerdote no tribunal da misericórdia - sacramento da confissão - escuta de algumas pessoas a repetição de pecados já perdoados. Ora, quem se comporta assim, carrega um terrível fardo; pois quem não se perdoa fecha o coração para a graça de Deus. Logo, o melhor caminho é liberar perdão sempre. Nada de guardar ressentimento de ninguém. A pessoa que não é capaz de perdoar ao irmão pode carregar um terrível fardo diuturnamente.


É importante entender que perdoar não significa esquecer ou passar uma borracha e pronto. Não, não mesmo! São duas coisas distintas. Perdoar é um ato de amor consciente e livre. A pessoa decide tirar todo rancor do coração. Por outro lado, vai lembrar do fato, afinal a pessoa tem memória, no entanto, ao lembrar, não ficará furiosa de raiva, com sentimento de vingança; já se libertou. Quem perdoa ao semelhante não carrega sobre os ombros o peso da murmuração, o fardo pesado do rancor.


Em consideração derradeira, em outras palavras, perdoar é você permitir a despedida de alguém que já se foi, e não ficar grudado o tempo todo ao luto. Perdoar é um ato de amor-próprio, como já foi dito. Quem não é capaz de perdoar não é capaz também de se libertar do rancor. O seu coração foi feito para amar, logo, deixe seguir o seu caminho quem o ofendeu. E não esqueça: quem não perdoa ao outro pode ser sinal de que não perdoa a si também.


Pe. Biu de Arruda – É da Arquidiocese de Olinda e Recife, pároco da Paróquia de AOR de Santa Luzia

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