Reverendo Miguel Cox: Um Deus implacável
Quando só o dinheiro reina soberano no coração dos indivíduos, expulsa valores éticos e espirituais, pois não divide a sua importância com ninguém
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“Ninguém pode servir a dois senhores: porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e as riquezas”. (Mateus 6:24)
Há um deus implacável que é especialista em gerar conflitos, destruir famílias, arruinar boas amizades, conduzir gente boa ao fundo do poço, promover doenças como a depressão, levar empresas à falência, corroer sentimentos nobres, aumentar o número de assassinatos, estragar reputações, minar propósitos, criar barreiras sociais, e uma infinidade de ações danosas…
Este deus se apresenta como necessário à vida humana e cega de ganância aqueles que se encantam por ele. Ele é responsável por detrações ferozes, divórcios, planos macabros, emboscadas, sequestros, poder de mando, crimes mais vis e hediondos, exploração religiosa do mais baixo nível, esquemas de corrupção, fomento das mais nefastas ideologias, guerras entre povos e nações, aliciamento de vulneráveis… Esta lista é gigante… O controle que exerce sobre as pessoas é implacável, impiedoso e irretratável.
Quem o ama não consegue ter amor por mais nada neste mundo, pois ele é sufocante. Apegar-se a ele é algemar mãos, pés e mente. Ele dissemina a cruel fome no mundo através de gananciosos governantes, porque o sentimento humanitário foi carcomido por ele. A miséria é uma de suas cruéis aliadas. Quem se ajoelha diante dele perde qualquer empatia pelo próximo. Ele rouba o que há de melhor no ser humano e semeia o mal devastador que marcha incontinente para destruir tudo o que encontra pela frente.
Este deus chama-se: dinheiro, riqueza, bens, etc. Quando ele reina soberano no coração dos indivíduos, expulsa todos os demais valores éticos, morais e espirituais, pois não divide a sua importância com ninguém. É o soberano absoluto sentado no trono administrando a vida de quem o adora. E o mais interessante é que não é necessário ter muito dele, pois pessoas se corrompem até por uma pequena quantidade. É o caso de Judas que vendeu Jesus Cristo por apenas trinta moedas de prata, um valor ínfimo por uma vida extraordinária. Com muito também se paga o preço do suborno, da sabotagem, da traição, da compra de consciências, de sentenças jurídicas…
Um dos males provocados por este deus é a insatisfação. No livro de Eclesiastes diz: “quem ama o dinheiro jamais dele se farta” (5:10). Não somente sempre vai querer mais, como também se parte para o excesso de prazeres, perdendo-se na ilusão de que desfrutar da vida é entregar-se à toda sorte de experiências jamais vividas. Quando chega no ponto em que a diversão acaba e o dinheiro não tem mais nada a oferecer, a vida se torna chata, sem sentido, aborrecida e passa-se a viver por viver. A administração dos múltiplos bens adquiridos através dele torna-se um fardo tão pesado que não se pode mais deixar de carregar, então se percebe que criou um monstro que o impede viver livremente. Quem tem muito dinheiro adquire grande poder.
Teria Deus um concorrente à altura? Seria Deus frustrado porque a “turma” prefere obedecer a outra voz de comando? Jesus fala de dois senhores que têm voz de mando sobre o seu povo e nos enganamos quando pensamos que podemos servir a esses dois simultaneamente. Ele deixa bem claro esta impossibilidade. Deus, na verdade, não tem concorrente algum, nem se frustra com a nossa desobediência à sua voz de comando, esta advertência de Cristo foi dirigida àqueles que desejam o melhor dos dois mundos e, na verdade, está ouvindo uma só voz: a de Deus ou a das riquezas!
“O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males”, adverte S. Paulo (I Timóteo 6:10). O dinheiro é um escravo, um objeto de transação comercial. Não o ame jamais! Ele é um instrumento neutro que pode fazer o bem ou causar muitos males. Tenha-o sempre a seus pés, jamais na sua cabeça ou no seu coração. Não dependa dele, liberte-se dessa ideia de que ele é que lhe proporciona conforto e lazer, isso vem de Deus que o capacitou para trabalhar e adquirir riquezas honestamente. Submeta-se, sempre, à vontade de Deus e se desapegue de bens que o escravizam.
Rev. Miguel Cox é mestre em Teologia e pastor