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Padre Biu de Arruda: Quaresma e Semana Santa

Durante quarenta dias a Igreja nos convida a percorrer o caminho de Cristo no deserto, a fazer penitência, fortalecer a fé e seguirmos para a Páscoa

Por JC Publicado em 15/03/2026 às 0:00 | Atualizado em 17/03/2026 às 7:04

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A Quaresma é um tempo de conversão, marcado pela oração, pelo jejum e pela esmola. Durante quarenta dias, a Igreja nos convida a percorrer o caminho de Cristo no deserto, fazendo penitência, a fim de fortalecer a nossa fé e nos prepararmos para a grande celebração, isto é, a Páscoa.

Esse tempo do ano litúrgico é uma verdadeira escola espiritual. É o momento oportuno para revisitar as verdades fundamentais da fé, desapegar-se do supérfluo e aprofundar a vida de comunhão com o Divino Carpinteiro. Através da liturgia e das práticas quaresmais, somos chamados a viver essa preparação junto com a Igreja, caminhando em direção à ressurreição, que dá sentido à vivência cristã. Afinal, a ressurreição é a vitória da vida sobre a morte.

Querido leitor/a, o número quarenta não é arbitrário. A duração desse período ecoa, principalmente, os quarenta anos de Israel desbravando o deserto e os quarenta dias em que o próprio Divino Carpinteiro jejuou antes de iniciar sua missão pública. Por essa razão, todos os anos, pelos quarenta dias da Quaresma, a Igreja une-se ao mistério de Jesus no deserto. Sendo assim, mais do que uma tradição, a Quaresma é um chamado à metanoia, com a prática do jejum, da oração e da caridade. Assim, o cristão, ao renunciar a pequenas vontades e confortos, aprende a se desapegar deste mundo e, pouco a pouco, a morrer para o pecado e ressurgir para uma nova vida em Cristo.


É importante lembrar que a Quaresma tem a sua origem nos primeiros séculos do Cristianismo, quando a Igreja instituiu um tempo de penitência e preparação para a Páscoa, inspirado nos quarenta dias de jejum de Cristo no deserto. Inicialmente, foi um período de intensa formação para os catecúmenos (adultos sem o Batismo) que seriam batizados na Vigília Pascal, mas logo tornou-se um chamado universal à conversão para todos os fiéis. Uma verdadeira bênção de Deus. E com o passar do tempo, a Igreja foi consolidando esse itinerário de fé e espiritualidade.


É justamente nesse período que a Igreja celebra a Semana Santa, que é o tempo mais importante do ano para os cristãos, pois são celebrados os mistérios da fé: a paixão, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. Inicia-se no Domingo de Ramos, que lembra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, terminando no Domingo de Páscoa (ressurreição), recordando a última semana de vida de Jesus, com foco no amor, sacrifício e renovação da fé.

Assim, são as ações litúrgicas da Semana Santa: Domingos de Ramos, entrada triunfal em Jerusalém. Quinta-feira Santa: Celebração do lava-pés, a Última Ceia e a instituição da Eucaristia. Sexta-feira Santa ou da Paixão: Dia de silêncio e jejum, recordando a crucificação e morte de Jesus. Não há missa, mas uma ação litúrgica, com adoração ao santo lenho. Sábado Santo ou de aleluia: a Vigília Pascal, a mais importante celebração, anunciando a ressurreição. Domingo de Páscoa: Celebração da ressurreição de Cristo, vitória da vida sobre a morte.


E aqui, é importante lembrar que a Semana Santa não é período de férias ou um feriadão. É o tempo forte, onde os mistérios da fé cristã são celebrados. E é lamentável que muitos cristãos católicos nesse período, prefiram participar de shows, festas, viagens a estar com a comunidade participando ativamente das fortes celebrações litúrgicas. Percebe-se também que, a cada ano que se passa, há uma grande intensificação do fenômeno chamando “feriadão”. Ação dessa natureza fere o coração de Deus, uma vez que o seu Filho está em pleno sofrimento humano, e alguns cristãos nos resorts, como se nada estivesse acontecendo.


É preciso que o cristão retome a consciência de que a Quaresma e a Semana Santa são tempos litúrgicos que a Igreja nos oferece para o crescimento espiritual. Por isso, vamos implorar a Deus que nesse período quaresmal, recaia sobre todos as graças e bênçãos divinas, como também uma celebração da Semana Santa com renovado vigor espiritual. Deus os abençoe sempre.


Padre Biu de Arruda – AOR é Pároco da Paróquia de Santa Luzia – Estância

 

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