Os dogmas marianos
No credo católico, Maria ocupa um espaço muito especial, afinal, foi o exemplo de obediência à Palavra e à vontade de Deus a Santa Maria Mãe de Deus
Clique aqui e escute a matéria
PADRE BIU DE ARRUDA
Caríssimo leitor, falar sobre a Mãe de Deus e nossa é por demais prazeroso e causa muita alegria. Afinal, Maria foi a filha predileta do Senhor. Desde a eternidade, Deus escolheu, para ser a mãe do Salvador, uma filha de Israel, uma jovem judia de Nazaré da Galileia, “uma virgem prometida em casamento a um homem de nome José, da Casa de Davi. A Virgem se chamava Maria” (Lc 1, 26-27). Logo, tudo que aconteceu com Maria foi ação da providência divina. Assim quis e permitiu Deus que Maria “cheia de graça” fosse mãe do Salvador da humanidade. Por essa razão, Maria não é uma mulher qualquer.
Acerca de Maria, Mãe de Deus, a Igreja proclamou quatro dogmas. Mas o que é dogma? A Igreja define dogma como sendo “uma luz no caminho de nossa fé, uma verdade de fé irrevogável que obriga o cristão católico a aderir” (Catecismo da Igreja Católica, 88-93). É salutar dizer que, a Virgem Maria é para a Igreja o modelo da fé e da caridade. Com isso, ela é membro supereminente e absolutamente único da Igreja. Não foi à toa que foram proclamados quatro dogmas sobre a Virgem Maria.
O primeiro dogma que a Igreja definiu sobre Maria Santíssima é o Theotókos, expressão grega que quer dizer, Mãe de Deus. Sim, Maria Santíssima é Mãe de Deus, pois sendo ela a Mãe do Salvador, Jesus Cristo, não poderia ser diferente, uma vez que o Filho tem a mesma natureza do Pai. Esse dogma foi proclamado no Concílio de Éfeso em 431, ocasião em que Santo Irineu assim disse: “obedecendo, se fez causa de salvação tanto para si como para todo gênero humano” (Catecismo da Igreja Católica, n. 495). E mais: Maria é aclamada, sob o impulso do Espírito Santo, desde antes do nascimento do seu Filho como “a Mãe do meu Senhor” (Lc 1, 43).
Em ordem cronológica, o segundo dogma que a Igreja proclamou a respeito de Maria é a Virgindade Perpétua. Isso mesmo, Maria foi virgem antes, durante e depois do parto. Afinal, “desde as primeiras formulações da fé, a Igreja confessou que Jesus foi concebido exclusivamente pelo poder do Espírito Santo no seio da Virgem Maria” (Catecismo da Igreja Católica). Os relatos evangélicos entendem a conceição virginal como uma obra divina que ultrapassa toda compreensão humana. “O que nela foi gerado nela vem do Espírito Santo” (Mt 1,20), assim disse o anjo a José acerca de Maria, sua esposa. A Igreja vê nesse relato o que bem antes profetizou Isaías: “eis que a virgem ficará grávida e dará à luz um filho” (Is 7,14).
O terceiro dogma é o da Imaculada Conceição. No momento da anunciação, o anjo Gabriel a saúda como “cheia de graça” (Lc 1,28). Por essa razão, a Igreja tomou consciência de que Maria “repleta de graça” por Deus, foi redimida desde a concepção. É isso que confessa o dogma da Imaculada Conceição, proclamado em 1854, pelo papa Pio IX. Esta santidade resplandecente, absolutamente única da qual Maria é enriquecida, desde o primeiro instante de sua conceição, lhe vem inteiramente de Cristo, “em vista dos méritos do seu filho” (Lumen Gentium, n. 53). Foi redimida de modo sublime mais do que qualquer outra pessoa criada, assim quis e permitiu Deus.
O quarto dogma proclamado a respeito de Maria é a sua Assunção; “Imaculada Virgem, preservada imune de toda mancha da culpa original, terminado o curso de vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste. Para que mais plenamente estivesse conforme a seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do universo”. A assunção da Virgem Maria é singular participação na ressurreição de seu Filho e antecipação dos outros cristãos. Em 1950, diante de uma multidão de fiéis, na praça de São Pedro, foi proclamado o dogma da Assunção de Maria pelo Papa Pio XII.
Caríssimo leitor, por sua adesão total à vontade do Pai, à obra redentora de seu Filho, a cada moção do Espírito Santo, a Virgem Maria é para a Igreja o modelo da fé e da caridade. Por essa razão, no credo católico, Maria ocupa um espaço muito especial, nem poderia ser diferente, afinal, foi o exemplo de obediência à Palavra e à vontade de Deus. Santa Maria Mãe de Deus, rogai por nós.
Padre Biu de Arruda é Pároco da Paróquia de Santa Luzia pertencente a Arquidiocese de Olinda e Recife