Jesus - uma Mensagem de Amor
Apesar do vasto ensinamento deixados por Jesus ainda hoje Ele é conduzido ao calvário, sempre que nos deixamos seduzir por interesses mesquinhos
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MARIA INÊS MACHADO
O mundo encontrava-se imerso no obscurantismo religioso. Aqueles que criam no Deus único viam-no como uma força colérica, quase humana, que punia o erro pela lei de talião — olho por olho, dente por dente. Outros deuses, cultuados na época, assumiam o papel de regentes da vida humana e, na essência, refletiam a vaidade e o egoísmo das próprias criaturas. Foi nesse cenário que Jesus nasceu. E ao vir renovar os rumos da humanidade, não coube apenas na história: dividiu-a em antes e depois Dele.
Jesus nos acolhe. Não interroga nossa raça, religião, cor, condição social ou econômica, pois todos somos filhos do mesmo Pai, filhos de Deus. Livre de qualquer forma de preconceito, trouxe a lei do Amor e sintetizou os mandamentos na mais elevada proposta espiritual: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo, a nós mesmos. Fortaleceu o processo evolutivo do ser humano, destinado à perfeição relativa, ao afirmar: “Vós sois deuses; brilhe a vossa luz”. E, com sabedoria infinita, traçou os caminhos que conduzem a essa conquista interior.
Apesar do vasto manancial de ensinamentos deixados por Jesus — diretrizes seguras para libertar o homem de suas próprias imperfeições — ainda hoje Ele é conduzido ao calvário, sempre que nos deixamos seduzir por interesses mesquinhos que aprisionam o coração e ferem o semelhante.
Neste Natal, Jesus, mensageiro do Amor, desejamos celebrar Contigo, aprendendo Tuas lições sublimes e retirando-as do campo das ideias para colocá-las nas mãos, transformando-as em ações e renovação de atitudes.
É Natal. E a canção de John Lennon, na voz sensível de Simone, ecoa como convite à consciência ao perguntar: “Então é Natal… e o que você fez?”. Vale a pena mergulhar no silêncio do mundo íntimo e refletir sobre o que temos realizado para amenizar as dores dos que sofrem, dos que choram e dos que passam fome, conforme Tu nos ensinaste. Natal é tempo de ação. Ação do perdão àqueles que nos feriram, recordando a prece do Pai-Nosso: “Perdoa as nossas ofensas, assim como perdoamos os que nos têm ofendido”. Ação da misericórdia, lembrando o ensinamento: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque cançarão misericórdia”. Ação da brandura e da paz, para que sejamos verdadeiramente chamados filhos de Deus.
Recordemos o momento supremo em que Jesus, na cruz, volta o olhar para os próprios algozes e pronuncia: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”. Assim, Ele nos dirige convites constantes à vida verdadeira, chamando-nos ao despojamento do orgulho e da vaidade que retardam nossa marcha espiritual. Perdoar não é ser conivente com o erro. É libertar a memória do peso que aprisiona, é retirar do coração o veneno da dor que se perpetua. Perdoar é abrir as portas da alma às oportunidades da vida, mesmo quando elas nos colocam frente a frente com quem nos feriu.
Quem agride, quem dificulta o trabalho do bem, carrega em si a própria infelicidade. O servidor fiel ao Cristo, porém, segue adiante: sacode a poeira das sandálias e continua no serviço. Há muitas estações promissoras à espera de trabalhadores do Amor.
Natal é palavra breve, mas profunda, que cabe no coração da humanidade. Se assim não fosse, o Cristo de Deus não teria descido à Terra para nos ensinar: “Amai-vos uns aos outros, assim como Eu vos amei”. Para compreender plenamente esse ensinamento, basta olhar para as Bem-Aventuranças e para o maior exemplo deixado por Ele: a humildade. A manjedoura, simples abrigo dos animais, transforma-se em altar silencioso que nos convida ao amor a Deus, a nós mesmos e ao próximo.
Quando elegemos o amor como meta de vida, as adversidades do caminho se reorganizam, perdem a força e encontram seu devido lugar. O amor permanece, pois é a essência da vida e a razão maior da existência humana.
A maior caridade que carregamos na bandeira da alma é o Amor. Sem ele, tudo se transforma em pergaminhos gastos pelo tempo. Valorizamos diplomas, títulos e conquistas materiais; que esse mesmo entusiasmo se volte para as conquistas espirituais, aquelas que formarão a nossa túnica nupcial no retorno à Pátria Maior.
Que este seja, verdadeiramente, um Natal de luz, ação e renovação interior.
Maria Inês Machado é trabalhadora da Fraternidade Espírita Peixoto Lins