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As Misericórdias de Deus

Os misericordiosos que Jesus proclama, não são apenas pessoas eticamente boas, mas são pessoas espiritualmente transformadas pelo ensino de Jesus

Por JC Publicado em 14/12/2025 às 0:00

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VALTEMIR RAMOS GUIMARÃES

O ser humano na terra sempre precisou de um olhar cuidadoso e misericordioso. As lutas e tristezas do dia a dia, muitas vezes nos fazem clamar por um socorro lá do alto.


Nesta mensagem estamos nos embasando numa passagem das escrituras sagradas no livro de Lamentações de Jeremias no capítulo três e versículo vinte e dois que nos diz: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim” (Lm 3:22). Sim, o assunto primordial dessa passagem é “a misericórdia de Deus”.


Essa temática está exarada na Bíblia e na teologia, e faz parte integral dos atributos morais ou comunicáveis de Deus. Buscando fazer uma análise exegética sobre a palavra misericórdia, temos no hebraico o termo hesed, e no grego éleos, ambos expressam compaixão, misericórdia e bondade. Nas escrituras sagradas, referem-se basicamente àquela reação emocional que resulta em uma ação para livrar alguém de uma dificuldade ou perigo iminente (Gn 19:16; Is 63:9 (Verbrugge, 2018, p.198).


O livro que ora estamos embasados, ou seja, Lamentações de Jeremias, é conhecido pelo termo ekah ou quinah no hebraico, indicando “lamentação”. Isso é devido ao caráter de deploração no livro inteiro, num contexto de sofrimento, lamento e aflição. Este é um dos livros poético da Bíblia, composto pelo profeta Jeremias, e tem cinco poemas, do século V a.C., provocado pela grande calamidade que se abateu sobre Jerusalém, como consequência do cativeiro babilônico.


A septuaginta (1ª tradução da Bíblia do hebraico para o grego, cerca de 285 a.C., em Alexandria no Egito), colocou como título para esse livro, assim: “Cânticos fúnebres”. O título em ou nas modernas línguas europeias, e em português, vem da “Vulgata Latina” (Tradução de Jerônimo para o latim), no século IV, com base no vocábulo latino “lamentum”, que significa “clamor”, “choro”, “lamento”. Este é um dos livros mais tristes já escrito. O livro é usado nas citações em dias de jejuns e lamentações pública ou partícular (Champlin, 2001, p.3169-70). Logo no início do capítulo três do livro, o profeta inicia dizendo: “Eu sou o homem que viu a aflição pela vara do seu furor” (Lm 3:1). Ele fala do grande sofrimento que se abateu no povo.


Diante de todo o contexto de sofrimento e dor, o profeta traz o tema das “misericórdias do Senhor”, as quais são a causa de não sermos consumidos; de nos poupar; livrar o ser humano. O texto é um dos mais citados, fala de um “amor abundante e constante”, que vem expresso na profunda misericórdia de Deus. Percebemos que Deus continuou aplicando a disciplina (o cativeiro anunciado em Jr 25:11), mas sem destruí-los. A Septuaginta traduz assim: “As misericórdias do Senhor não me abandonam”.

Estudando todo o Antigo Testamento, é possível ver em muitos momentos a ação dessa misericórdia de Deus na vida dos homens (Gn 6:6; II Pe 2:5; Gn 18:23-33; Êx 2:23-25). Entretanto, nas finalizações dessa mensagem, precisamos dizer que as “misericórdias do Senhor” são evidenciadas mais plenamente na pessoa e atuação de Jesus Cristo.


No Cristianismo o amor não é dado aos que se acham dignos, pelo contrário, Jesus veio para os que nada valem (na ótica humana); para os indignos, doentes, pobres, pecadores e necessitados. Ele veio para valorizar e ter misericórdia do ser humano, independentemente da sua raça, cor, status quo, etnia, cultura, etc. (Lc 15:1-10). Em um dos seus ensinos, Jesus nos diz: “bem-aventurados os misericordiosos” (Mt 5:7).


Em suma, os misericordiosos que Jesus proclama, não são apenas pessoas eticamente boas, fazedoras do bem – mas são pessoas místico-espiritualmente transformadas pelo ensino de Jesus, por seu evangelho. São pessoas experientes de Deus, e, por isso, essencialmente boas. Assim, quanto mais o homem faz o bem no âmbito horizontal, tanto mais recebe, na vertical, ou seja, da parte de Deus. Vivamos, pois, as misericórdias do Senhor, e as expressemos para com o próximo. Amém!


Valtemir Ramos Guimarães, pastor da Igreja Pentecostal Assembleia de Deus - PE. Graduado: Física (UFRPE); Me. / Dr. Ciências da Religião.
(81) 99948-1289

 

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