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Vamos à Manjedoura

Vamos à manjedoura renovar esperanças, pois lá está o Deus Menino e diante da fragilidade daquela criança sentiremos o incomparável amor de Deus

Por JC Publicado em 07/12/2025 às 0:00

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PADRE BIU DE ARRUDA


É agradável aos sentidos perceber que a festa da cristandade se aproxima. Os sinais estão por todo lugar, do casebre ao palácio; das ruelas às avenidas nas metrópoles; do sertão ao litoral. Tudo vai sendo enfeitado, dando sinal de que alguém especial vai chegar. A Igreja prepara os fiéis com a liturgia do Advento. O povo sertanejo, em família, reza a novena. O clima é um só: preparação para a chegada do Menino Deus. Mas quem é essa criança que nasceu tão frágil numa estribaria? É o Salvador do mundo. É nosso Senhor Jesus Cristo que cada ano renova a esperança do povo cristão. Por essa razão, a comunidade cristã não perde tempo em preparar a sua chegada.


Mas, quem é mesmo esse Menino? Não basta saber o seu nome nem conhecer sua história. É de fato, uma presença permanente, inquietante, pois, todos os anos, o Menino volta e sempre se apresenta como criança. Parece que não pode crescer, que mistério! Esse fato deve ser pensado, à semelhança de Maria, mãe do Menino, que “refletia sobre todas essas coisas, meditando-as no seu coração” (Lc 2,19).
Meditar no coração para fazê-lo vibrar, arder de amor, para dar uma resposta de amor. Assim o coração se torna sensível, exercitando as funções dos sentidos: ver, ouvir, gostar, cheirar, apalpar... quantas coisas belas, amorosas o coração pode perceber em preparação para o nascimento do Menino Deus. Como também, quantas cosias feias, a começar pelas guerras entre as nações e, por causa disso, a degradação humana vem se tornando algo natural. Como isso é triste! E quando o mal não causa mais incômodo no interior do cristão, é sinal inequívoco de que a humanidade precisa se tornar mais humana.


Por isso, vamos todos mais uma vez a Belém ver o Menino Deus. Com certeza, durante a caminhada em direção ao encontro dEle, iremos ouvir belíssimas melodias, a começar pelo choro inocente de tantas crianças, que suplicam por um colo aquecedor. Ouviremos muitas histórias de amor. Por outro lado, também, os nossos olhos poderão ver situações degradantes por causa da nossa indiferença. Contudo, quando a caminhada é realizada com o desejo de mudança, tudo pode ser superado. Afinal, não iremos a qualquer lugar. Iremos sim, àquele lugar sagrado onde o terreno não foi apenas amado, mas fecundado com a força do amor divino.


Vamos à manjedoura renovar nossas esperanças, pois lá está o Deus Menino. E diante da fragilidade daquela criança, que já nasceu dando sinal de que seria alimento, o coração humano sentirá a incomparável e insuperável fragrância do amor de Deus. Talvez, o cristão em visita àquele lugar sagrado, não sinta o fétido hálito dos animais que, como vigilantes, cuidaram daquela família que um dia foi forasteira e sentia a indiferença dos corações petrificados, precisando de um coração de carne, como nos lembra o profeta Ezequiel no capítulo 36.


Quiçá, bem próximo à manjedoura ou ao redor dela, podem existir muitas crianças que sofrem por causa da insensibilidade humana e que choram de fome, sem um aconchego de um casebre, por mais simples que seja, sentindo a ausência de um abraço humano e de um olhar acolhedor. Por isso, não se pode ir à manjedoura e voltar do mesmo jeito. A pessoa vai pôr um caminho e deve voltar por outro. E o outro caminho é o da metanoia, da mudança de vida, da conversão; pois, a natureza humana tende a ficar sensível diante de uma criança. Quem não fica, supomos ser um perverso, a exemplo de Herodes.


Em consideração derradeira, não podemos olvidar que o Natal, a festa da cristandade, é uma oportunidade ímpar para um encontro consigo mesmo, com a alteridade e com a família ao redor da mesa, com guloseimas ou não, celebrando com os semelhantes. Essa festa consiste numa oportunidade primorosa para o encontro. Sim, o encontro com o Menino Deus, onde reside toda a alegria humana. Portanto, permita que o seu coração sirva de manjedoura para acolher, mais uma vez, as manifestações divinas do Nascimento do Menino Deus. Feliz Natal!

Pe. Biu de Arruda – é da Arquidiocese de Olinda e Recife e pároco da Paróquia de Santa Luzia na Estância

 

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