REVERENDO MIGUEL COX
“(O Rico) então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim!
E manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua,
porque estou atormentado nesta chama”. Lucas 16:24
Há, hoje em dia, o modismo de desacreditar na existência do inferno, o castigo eterno daqueles que rejeitam a Deus e o seu Filho Jesus Cristo como Salvador. Antes do Papa Bento XVI redefinir o Purgatório como “não um lugar, mas uma experiência interior do homem em seu caminho rumo à eternidade”, ele era a opção alternativa para quem não era bom o suficiente para o céu ou mau demais para ir para o inferno. No conceito do Papa Bento XVI ele se tornou não mais do que uma chama ardente que purifica o coração das pessoas a fim de conduzi-las à conversão. No entanto, ele mesmo afirmou: “o inferno existe e é eterno para os que fecham seu coração ao amor de Deus”.
Muitos teólogos cristãos, porém, sejam de qualquer ramo do cristianismo, sentem ser mais confortável negar a existência do inferno. Talvez porque desejem gozar de uma aceitação mais popular, ampla e prestigiosa; ou, talvez por relativizar o poder da conversão onde se dispensa mudança radical. Desta forma, o cristão abraça uma ética barata, pobre, vivendo como quer e bem entende, e está tudo certo. Basta que a confissão de fé esteja de lábios. Mudança de comportamento é outro papo, afinal, Deus, segundo eles, é amor e muito compreensivo. Para quem abraça esse evangelho criativo, moldado para livrar as pessoas das prerrogativas divinas, não faz sentido algum falar de inferno, uma vez que se não há pecado também não há punição! Esses são os guias que selecionam as falas de Jesus Cristo de acordo com o seu critério avaliador de: “gostei” e “não gostei”. Será que Cristo solicitou a opinião deles?
Quem verdadeiramente ama, adverte. E Jesus nos advertiu da cruel realidade que é o inferno “para aqueles que fecham seu coração ao amor de Deus”. Lugar onde “haverá choro e ranger de dentes” (Mateus 13:50 – expressão repetida diversas vezes por Jesus). Jesus conta a história do Rico e do Lázaro, no evangelho de Lucas 16:19-31, onde o pobre Lázaro morreu e foi para o “seio de Abraão”, metáfora do céu, e o rico para o inferno. Não porque era rico, mas porque não amou nem a Deus, nem ao seu próximo, os dois maiores mandamentos. Nessa história Jesus ensina que há um abismo intransponível, “de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós” (Lucas 16:26).
Enquanto Lázaro desfrutava das delícias celestiais, o rico agonizava no seu tormento eterno. Sequer lhe foi servido uma simples gota de água para refrescar um pouco a sua língua. O rico desejou que os seus cinco irmãos fossem advertidos para não trilharem o seu caminho e irem parar ali. Mas, no inferno os desejos não são atendidos, é o lugar de severa frustração. Então o Pai Abraão lhe diz: “eles têm Moisés e os profetas; ouçam-nos”, ou seja, a oportunidade é igualitária para todos. Todavia o rico insiste e pede: “Não, pai Abraão; se alguém dentre os mortos for ter com eles, arrepender-se-ão. Abraão, porém, lhe respondeu: Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos” (Lucas 16:30,31).
O rico escolheu o seu destino ao optar por viver longe de Deus e de seu próximo. Por assim dizer, Deus respeitou a sua decisão e o manteve bem longe dos dois. Ele conhecia as palavras de Moisés e dos profetas, mas preferiu ignorá-las e apegar-se às teorias de seus guias. Jesus não inventou essa história para conseguir mais adeptos, mas descreveu essa cruel realidade a fim de que haja tempo de decidirmos não ir para lá.
De minha parte, prefiro dar toda a credibilidade às palavras de Jesus e rejeitar as opiniões dos guias que as desprezam. E, caso alguém insista firmar-se na sua opção pessoal, sem valorizar Jesus nem os guias, ficará navegando por sua conta e risco em seu desconhecido destino. Rogo com toda a força do meu ser: acredite que Jesus está certo! Não troque a incerteza pela certeza inabalável. “Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna”! (João 6:47) Escolha a Vida!
Rev. Miguel Cox é mestre em teologia e pastor evangélico
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