Concessão Metrô do Recife: Primeiro trem sai de Belo Horizonte para evitar colapso do metrô
Composição restaurada e em condições operacionais deve chegar a Pernambuco até o dia 19/5. Medida emergencial vai evitar a paralisação da Linha Sul
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O primeiro dos 11 trens que serão adquiridos para reforçar o sistema metroferroviário de Pernambuco partiu de Belo Horizonte com destino ao Recife na sexta-feira (8/5). A composição, que faz parte de uma estratégia emergencial para evitar o colapso parcial do Metrô do Recife, chegará à capital pernambucana totalmente restaurada, adesivada e em plenas condições de uso, segundo garantias da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU).
A previsão é que o primeiro trem desembarque no Estado entre os dias 15 e 19 de maio, entrando em operação comercial na Linha Sul do Metrô do Recife - que está sob risco de ter a operação suspensa por falta de frota em abril de 2027 - já no mês de junho. A Linha Sul transporta, atualmente, aproximadamente 60 mil pessoas por dia e liga a área Sul do Grande Recife ao centro da capital, fazendo integração com os ramais da Linha Centro, a de maior demanda do sistema - em média 120 mil passageiros diários.
Como explicou a direção e o corpo técnico da CBTU, a decisão de adquirir composições do Metrô de Belo Horizonte (Metrô BH) ocorreu após uma análise rigorosa da Companhia sobre frotas disponíveis em outros estados. Opções da CPTM, em São Paulo, e da Trensurb, em Porto Alegre, foram descartadas por inviabilidade técnica e financeira. No caso de São Paulo, os 11 trens oferecidos estavam parados há cinco anos, apresentando profunda degradação e sendo vendidos apenas como sucata. Já as unidades do Rio Grande do Sul exigiriam investimentos de R$ 32,5 milhões e até 38 meses para recuperação, prazo que não atendia à urgência do Recife.
GARANTIAS DE BOAS CONDIÇÕES DE OPERAÇÃO, MESMO SEM AR-CONDICIONADO
Diferente das alternativas rejeitadas, os trens mineiros (modelo TE 10) estão em plena operação e possuem tecnologia de tração idêntica à utilizada em Pernambuco, o que facilita a manutenção e o treinamento das equipes. A aquisição das seis primeiras unidades envolve um investimento de R$ 60 milhões via Novo PAC, sendo R$ 10 milhões por composição — valor que cobre não apenas o material rodante, mas também o transporte, o fornecimento de peças sobressalentes e seis meses de manutenção assistida. Os outros cinco trens do plano de 11 unidades também deverão ser adquiridos junto ao sistema mineiro. Pelo menos essa é a expectativa por enquanto.
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As garantias de boa operação e explicações para a escolha da frota foram reforçadas pela diretora Técnica e de Administração e Finanças da CBTU, Adriana Lins. "Devido à falta de investimento, há muitos anos, nossa frota tornou-se ineficiente, com muitos trens deixando de operar. Chegamos a um momento em que a projeção para funcionamento da linha Sul, em Recife, se tornou alarmante, sendo necessário tomar uma providência de reposição, a curtíssimo prazo, de material rodante em condições operacionais”, explicou.
“A área técnica da CBTU, que tem uma experiência de 42 anos em operação e manutenção do sistema de transporte de passageiros sobre trilhos, visitou a CPTM, a Trensurb e o Metrô BH. Os trens operacionais do Metrô BH nos atenderão em cronograma de entrega, condições operacionais, troca de conhecimento de manutenção e operação e preço, tendo em vista que um trem novo custa em média 65 milhões e vale novamente frisar, não são objetos de prateleira, demorariam em média 24 meses pra começarem a ser entregues”, seguiu explicando.
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“A solução pela aquisição dos seis trens do Metrô BH contribuirá para uma solução provisória mas que beneficiará a população de Recife no atual cenário e de forma imediata", finalizou Adriana Lins.
HISTÓRICO DE CRISE E A TRANSIÇÃO PARA A CONCESSÃO PÚBLICA
A medida de adquirir trens usados de outros sistemas metroferroviários do País tem sido classificada pela CBTU como uma "solução de sobrevivência" para os próximos cinco anos - prazo determinado no processo de concessão para aquisição de composições novas. O sistema do Recife enfrenta uma crise de frota sem precedentes, operando com apenas 17 trens, contra os 40 que circulavam em 2015.
Estudos técnicos apontaram que, sem esse reforço, a Linha Sul correria o risco de operar com apenas quatro trens em abril de 2027, o que tornaria a operação inviável para os 60 mil passageiros diários do ramal.
Segundo a CBTU, o processo de aquisição emergencial tornou-se a única saída devido ao travamento na compra de equipamentos novos, que está atrelado ao processo de concessão do Metrô do Recife, atualmente conduzido pelo BNDES.
Como o prazo para a entrega de trens novos após a assinatura de um contrato de concessão é de aproximadamente três anos, a frota de Belo Horizonte servirá como uma ponte necessária para garantir a mobilidade da população enquanto os projetos estruturantes de modernização avançam.
Com a chegada dos trens mineiros, a CBTU planeja remanejar a frota antiga para reforçar a Linha Centro e regularizar as revisões obrigatórias dos trens mais novos (frota CAF) que estão atrasadas.