Radares de velocidade média identificam 66 vezes mais multas por excesso de velocidade durante monitoramento
Enquanto os radares de velocidade média seguem sem aprovação no Brasil, multas por excesso de velocidade expõem risco nas rodovias
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Enquanto a legislação de trânsito brasileira ainda não tem capacidade de reconhecer os benefícios para a segurança viária da implantação dos radares de velocidade média - que monitoram trechos, não apenas pontos -, o excesso de velocidade segue sendo assustador nas rodovias brasileiras, que registram mais de 800 mil multas por hora, segundo a PRF.
De forma geral, os condutores gostam de correr e ignoram os limites de velocidade das vias - principalmente das rodovias, onde os sinistros de trânsito costumam ser fatais. Muitos reduzem apenas onde são obrigados a reduzir. Depois, voltam a pisar no acelerador. São condutores que tratam o limite legal como obstáculo, não como medida de proteção à vida.
Essa realidade foi constatada em um levantamento realizado em Minas Gerais como teste de velocidade média, apenas informalmente, já que o projeto que poderia regulamentar a nova fiscalização não avança no Congresso Nacional e foi retirado do parecer do relator do chamado PL das Velocidades Seguras.
Em um trecho de 11 km da BR-050, conhecida como Rodovia Chico Xavier, no trecho entre Uberaba e Delta, em Minas Gerais, o monitoramento entre dois radares mostrou que muitos motoristas reduzem a velocidade apenas diante do equipamento e voltam a acelerar assim que passam pelo ponto de fiscalização. O teste foi feito para uma reportagem da TV Globo.
No primeiro semestre de 2026, 1,5 mil veículos foram flagrados acima do limite em um dos radares. Quando a análise considerou o tempo de percurso entre os dois pontos, o número de infrações foi 66 vezes maior.
A diferença não foi apenas estatística. Revelou que o modelo implementado há décadas no País, que fiscaliza um único ponto, não é mais eficiente nos tempos atuais. Principalmente em vias mais livres e à noite.
DETALHES DO MONITORAMENTO EXPERIMENTAL
A BR-050 é operada pela concessionária Eco050 e desde outubro de 2024 faz o monitoramento experimental com radares que aferem a velocidade média. A BR-050 é a primeira rodovia federal concessionada a contar com esse sistema de monitoramento, numa parceria com a Polícia Rodoviária Federal (PRF).
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O monitoramento é realizado com dois radares inteligentes instalados nos km 171 e 182, no sentido Uberaba a Delta. Os equipamentos estão integrados a um sistema que registra os horários das passagens dos veículos e, com base no tempo gasto entre um ponto e outro, calcula a velocidade média do deslocamento de forma automática.
Na Ponte Rio-Niterói, onde já existe um trecho de 9 km monitorado por velocidade média, o número de vítimas no período noturno foi três vezes maior no primeiro semestre.
MONITORAMENTO DA VELOCIDADE MÉDIA AINDA NÃO É REGULAMENTADO NO PAÍS
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) ainda não permite a aplicação de multas com base na velocidade média. Hoje, a autuação ocorre apenas quando o veículo passa pelo radar, o que estimula os condutores a frear bruscamente diante do equipamento e acelerar logo depois.
CONGRESSO REDUZ LIMITES, MAS DEIXA BRECHA NA FISCALIZAÇÃO
O avanço do PL 2789/2023, conhecido como PL das Velocidades Seguras, abre uma possibilidade importante de revisão da política viária brasileira. O texto prevê a redução do limite das vias de trânsito rápido, as chamadas vias expressas, de 80 km/h para 70 km/h, e das vias arteriais, normalmente grandes avenidas, de 60 km/h para 50 km/h.
Também incorpora ao debate a proteção da vida e dos usuários vulneráveis, como pedestres e ciclistas. Mas o parecer deixou de fora justamente a fiscalização por velocidade média, mantendo uma brecha que pode comprometer a eficácia dos novos limites. Sem controlar o comportamento ao longo de todo o trajeto, o País corre o risco de continuar permitindo práticas perigosas nos trechos sem radar.