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Renda Renascença de Poção conquista selo de Indicação Geográfica e fortalece tradição

Tradicional fazer artesanal do Agreste pernambucano obteve o registro em tempo recorde; selo reforça valor cultural e potencializa a economia local

Por JC Publicado em 30/09/2026 às 8:00

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Tradição artesanal de Poção, município localizado no Agreste pernambucano, a Renda Renascença produzida na região foi oficialmente reconhecida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) como a mais nova Indicação Geográfica (IG) do Brasil. A conquista é fruto de um esforço conjunto entre o Sebrae Pernambuco e a Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe), com foco na valorização de produtos de forte identidade territorial.

O registro do INPI foi concedido em apenas quatro meses após o protocolo do pedido, um prazo considerado recorde. A chancelaria fortalece a visibilidade da cidade, conhecida como a Capital da Renda, onde o saber-fazer é transmitido entre gerações. A conquista soma-se ao título concedido em julho pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC), que declarou o artesanato como Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco por unanimidade.

Para o superintendente do Sebrae/PE, Murilo Guerra, a chancela traduz uma estratégia de desenvolvimento focado no território.“Quando um saber construído e preservado ao longo de gerações passa a ser também um ativo do território, buscamos criar condições para que essa riqueza gere oportunidades para quem a mantém viva. A Indicação Geográfica agrega valor à Renda Renascença de Poção e amplia as possibilidades de desenvolvimento para toda a região”, afirma.

O processo para a concessão da IG exigiu a estruturação do grupo produtivo, a organização da governança territorial e a elaboração do Caderno de Especificações Técnicas, documento que estabelece os critérios de qualidade, padrões e normas para a preservação do fazer tradicional. O INPI, órgão responsável pelo registro de marcas e patentes no país, chancela o título como uma propriedade intelectual coletiva.

Para a Associação dos Artesãos e Artesãs, Rendeiros e Rendeiras de Poção (Renascença), a conquista tem papel reparador no mercado da moda e do artesanato. “Com essa conquista, os mestres e detentores do saber fazer da Renda Renascença de Poção ganharão visibilidade, impulsionando o vetor econômico da nossa cidade, que é basicamente construído pelas mãos de homens e mulheres artesãos. Essa indicação de procedência traz uma potencialidade que já existe e agora vamos trabalhar para levar essa renda ainda mais longe”, diz o vice-presidente da entidade, Lindenberg Nóbrega.

Confeccionada com linha, agulha e o característico lacê, a Renda Renascença possui raízes históricas associadas à Itália do século XVI, especialmente a Veneza. Mantida sob reserva durante séculos em conventos e ordens religiosas europeias, a técnica chegou ao Brasil no período colonial.

Em Pernambuco, o saber foi preservado no Convento de Santa Teresa, em Olinda, até desembarcar em Poção na década de 1930. A difusão local começou com Maria Pastora, que aprendeu a técnica com freiras francesas e a repassou para a amiga Elza Medeiros (Lala).

A partir desse primeiro grupo de oito mulheres, a produção expandiu-se e tornou-se uma das principais alternativas econômicas do município — sobretudo para as mulheres em períodos de estiagem no Agreste.

A diretora-presidente interina da Adepe, Roberta Andrade, ressalta que esta é apenas a primeira de uma série de ações de proteção e fomento do patrimônio produtivo pernambucano.“Estamos muito felizes com o reconhecimento da Renda Renascença de Poção, a primeira das 19 Indicações Geográficas que estamos trabalhando por meio da Adepe, em parceria com o Sebrae”.

Outras 18 indicações na fila do reconhecimento

O trabalho de mapeamento e estruturação conduzido pela Adepe em parceria com o Sebrae/PE visa obter o registro de Indicação Geográfica para outros 18 produtos e tradições artesanais e gastronômicas divididas por todo o Estado.

Sertão e São Francisco: Mel do Sertão do Araripe, Queijo Coalho do Araripe, Carne Ovina do Sertão do São Francisco, Manga do Vale do São Francisco e Uva do Vale do São Francisco.

Agreste e Zonas de Transição: Café de Triunfo, Artesanato em Madeira de Sertânia, Café de Taquaritinga do Norte, Abacaxi de Pombos, Queijo Coalho do Agreste, Redes de Tacaratu, Artesanato em Barro do Alto do Moura e Bordado de Passira.

Zona da Mata e RMR: Artesanato em Barro de Tracunhaém, Bolo Souza Leão de Pernambuco, Bolo de Rolo Pernambucano, Bolo de Noiva Pernambucano e Cachaça de Pernambuco.

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