Economia do Nordeste cresce acima da média do Brasil no primeiro semestre de 2026
Nordeste cresceu mais que o Brasil em cinco dos seis recortes de 12 meses do semestre; Pernambuco liderou entre os estados, com alta de 3,1%
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A economia do Nordeste encerrou o primeiro semestre de 2026 crescendo em ritmo superior ao do País. No acumulado de 12 meses até junho, a atividade econômica da região avançou 2,4%, enquanto a brasileira cresceu 1,5%. Na prática, o Nordeste apresentou uma expansão 0,9 ponto percentual maior.
Os dados fazem parte de estudo do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), área de pesquisa do Banco do Nordeste (BNB), elaborado a partir do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) e divulgado nesta quarta-feira (2).
A comparação exige uma ressalva importante, os números não representam o crescimento ocorrido isoladamente em cada mês. O estudo observa, a cada período, o desempenho acumulado nos 12 meses anteriores. Assim, o dado de junho, por exemplo, compara os 12 meses encerrados em junho de 2026 com os 12 meses anteriores.
Feita dessa forma, a conta mostra que o Nordeste superou o desempenho brasileiro em cinco dos seis recortes divulgados no primeiro semestre. A única igualdade ocorreu em janeiro, quando tanto a região quanto o País acumulavam crescimento de 2,2%.
A vantagem nordestina aumentou nos meses seguintes. Em fevereiro, o crescimento acumulado da região chegou a 2,4%, contra 1,8% no Brasil, uma diferença de 0,6 ponto percentual. Em março, foram 2,8% e 1,8%, respectivamente, ampliando a distância para 1 ponto.
A maior diferença apareceu em abril e maio. Em abril, o Nordeste acumulava expansão de 2,8%, diante de 1,6% no País. Em maio, os números foram de 2,6% e 1,4%. Nos dois casos, a vantagem regional chegou a 1,2 ponto percentual.
Em junho, houve alguma redução dessa distância, mas o Nordeste continuou à frente: 2,4%, contra 1,5% do Brasil.
“Os dados indicam que o Nordeste continua apresentando um dinamismo econômico superior ao observado para o conjunto do País. Nos meses de abril e maio, por exemplo, a economia nordestina cresceu 1,2 ponto percentual mais do que brasileira. Embora parte dos estados da região tenha mostrado desaceleração ao longo do primeiro semestre, o desempenho regional permanece acima da média nacional, refletindo a capacidade da economia nordestina de sustentar um nível de atividade relativamente mais aquecido. O comércio varejista segue contribuindo para essa resiliência, enquanto a perda de fôlego da agropecuária ajuda a explicar a moderação observada na economia brasileira”, analisa Biagio de Oliveira Mendes Junior, autor do estudo.
Pernambuco tem maior crescimento
Entre os estados nordestinos analisados pelo levantamento, Pernambuco apresentou o melhor resultado no acumulado de 12 meses encerrado em junho, com crescimento de 3,1%. O índice ficou acima tanto da média do Nordeste, de 2,4%, quanto da nacional, de 1,5%.
Na sequência aparecem Maranhão, com avanço de 2,2%; Rio Grande do Norte, com 1,7%; Ceará, com 1,6%; e Bahia, com 1,5%. Assim, todos os estados contemplados pelo levantamento registraram desempenho igual ou superior ao brasileiro.
As trajetórias, porém, foram diferentes ao longo do semestre. Maranhão e Bahia apresentaram desaceleração contínua, enquanto Rio Grande do Norte e Ceará tiveram comportamento mais estável, com uma leve recuperação nos meses mais recentes.
Pernambuco e o Nordeste como um todo oscilaram ao longo do período, mas conseguiram sustentar taxas de crescimento acima da média brasileira.
Agropecuária desacelera no Brasil
No recorte por setores da economia brasileira, a agropecuária ainda apresentou o maior crescimento no acumulado de 12 meses até junho, com alta de 2,5%. Os serviços cresceram 1,9% e a indústria, 0,7%.
O dado da agropecuária, no entanto, esconde uma forte perda de ritmo ao longo do semestre. Em janeiro, o setor acumulava expansão de 12,5%. Em junho, essa taxa havia recuado para 2,5%.
Os serviços tiveram comportamento mais estável e continuaram desempenhando papel importante na sustentação da atividade econômica brasileira. Segundo o estudo, a perda de fôlego da agropecuária ajuda a explicar a desaceleração observada no País durante o primeiro semestre.
O IBC-Br é acompanhado pelo mercado por oferecer uma leitura mais rápida da evolução da atividade econômica e funcionar como uma sinalização do comportamento do Produto Interno Bruto (PIB).
O levantamento integra a série IBC NE, produzida pelo Etene, e está disponível para consulta pública no portal do Banco do Nordeste.