Greve na obra de retomada da Refinaria Abreu e Lima em Suape dura menos de 24 horas
Categoria decretou paralisação após impasse na assembleia sobre acordo fechado no TRT-6 para obra de retomada da Rnest, mas maioria retomou o trabalho
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Uma greve decretada por trabalhadores da construção pesada que atuam na retomada da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Suape, durou menos de 24 horas. A paralisação foi motivada pela rejeição de um grupo ao acordo salarial fechado dias antes no TRT-6.
A greve começou na terça-feira (11), durante assembleia do Sintepav-PE convocada para validar a proposta junto à categoria, e foi encerrada nesta quarta (12), quando 80% dos operários retornaram aos postos de trabalho.
A obra faz parte do processo de retomada e manutenção do Trem 2 da refinaria da Petrobras. Cerca de 8 mil trabalhadores atuam na frente, distribuídos por nove consórcios responsáveis pelos serviços, entre eles Consag, UHN, CPL, Possebon, RCS, QWS, AJS, Gramo e Normatel. As obras tiveram início no ano passado, com uma etapa de inspeção para identificar pontos que precisavam de reparo. Agora começa a fase de execução propriamente dita.
Votação apertada
A greve foi decretada durante uma assembleia em que o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada do Estado de Pernambuco (Sintepav-PE) tentava validar, junto à categoria, a proposta de acordo fechada dias antes com o Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon). A regra combinada previa que a paralisação só seria aprovada se pelo menos metade dos presentes votasse a favor. Segundo o sindicato, faltaram apenas 38 votos para que a greve fosse barrada.
Acordo fechado
O acordo que motivou o impasse havia sido fechado em audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT-6), no dia 6 de agosto, com mediação do desembargador vice-presidente Eduardo Pugliesi e participação do Ministério Público do Trabalho. A negociação envolveu duas rodadas de conversas, a primeira em 29 de julho e a segunda, decisiva, em 6 de agosto.
Lado sindical
Presidente do Sintepav-PE, Aldo Amaral de Araújo afirma que o acordo fechado no TRT foi positivo para a categoria, mas que um grupo presente na assembleia não aceitou os termos nem apresentou contraproposta, defendendo apenas a paralisação. "Estou tentando salvar o acordo para que os trabalhadores não saiam no prejuízo", diz o presidente do sindicato.
O primeiro-secretário do Sintepav-PE, Rogério Leite Rocha, o Batata, afirma que parte da resistência ao acordo partiu de comparações com outras praças da construção pesada. Segundo ele, trabalhadores contrários citavam o reajuste de 7% aplicado em Paulínia, no interior de São Paulo, e tentavam equiparar os salários da obra de retomada da Abreu e Lima aos praticados em refinarias com 50 ou 60 anos de operação, caso da Reduc, no Rio de Janeiro.
O acordo
Pelo acordo, os trabalhadores da categoria terão reajuste salarial de 6,5%. O valor da cesta básica sobe de R$ 500 para R$ 750, considerando os dias efetivamente trabalhados. Também foi fixada uma cesta natalina de R$ 280.
A Participação nos Lucros e Resultados (PLR) foi estabelecida em 130 horas, com metas programáticas que ainda serão definidas por cada empresa. As horas extras trabalhadas aos sábados continuam com adicional de 70%.
Novas funções
O acordo também trouxe ajustes no quadro de funções. Foram incluídas as categorias de mecânico de manutenção, com salário de R$ 3.315,40, e de auxiliar de movimentação de carga e sinaleiro amarrador de cargas I, com salário de R$ 2.380,40, ambas sem reajuste adicional. Os salários de instrumentista industrial e instrumentista montador foram equiparados ao do eletricista de força e controle, e a função de rigger passou a ser chamada de rigger e sinaleiro amarrador de cargas II.
Um dia de paralisação anterior à assembleia também entrou no acordo. As horas relativas ao meio período não trabalhado poderão ser compensadas em até 60 dias, com o restante abonado pelas empresas.
Próximos passos
Com o fim da greve, a expectativa do sindicato e das empresas é que a obra de retomada da Rnest siga o cronograma previsto para a fase de execução dos reparos no Trem 2 da refinaria.
Investimento bilionário
A retomada do Trem 2 da Rnest foi confirmada pela Petrobras em outubro do ano passado, quando a empresa finalizou a assinatura dos nove contratos que viabilizam a obra. O investimento soma mais de R$ 8,3 bilhões, previsto no Plano de Negócios 2025-2029 da companhia. A construção da segunda unidade da refinaria havia sido interrompida em 2015 e é tratada pela Petrobras como estratégica para dobrar a capacidade de refino da Rnest. A expectativa da estatal é gerar cerca de 30 mil empregos diretos e indiretos ao longo da obra, com conclusão prevista para 2029.