Logística sob pressão: BR-101 concentra gargalos e setor cobra andamento do Arco Metropolitano
Estudo apresentado na feira Multimodal Nordeste mostra que gargalos viários na Região Metropolitana geram perdas de até R$ 3,4 bilhões por ano.
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A saturação da BR-101 e o passivo de conservação das rodovias geram um "imposto oculto" bilionário para a economia de Pernambuco.
É o que revela o estudo Diagnóstico Competitivo da Logística de Pernambuco, apresentado nesta terça-feira (4) na abertura da feira Multimodal Nordeste, no Recife Expo Center.
O levantamento, elaborado pela CEPLAN Consultoria com os organizadores do evento, mostra que a ineficiência logística custa entre R$ 1,1 bilhão e R$ 3,4 bilhões anuais ao setor produtivo do estado. A feira acontece entre os dias 4 e 6 de agosto na capital pernambucana.
O principal gargalo apontado pelas empresas que transportam cargas no estado é o congestionamento, que lidera o ranking de impactos negativos com nota 4,12 (em uma escala de 1 a 5).
O escoamento travado na BR-101
Utilizada por 67% das empresas de transporte e logística que operam em Pernambuco, a BR-101 tornou-se o principal ponto de vulnerabilidade física do sistema de distribuição de mercadorias.
No trecho que corta o Grande Recife, a rodovia mistura o tráfego urbano diário com a circulação interestadual e o escoamento pesado de cargas em direção ao Porto de Suape.
Esse conflito de fluxos reduz a velocidade dos caminhões, gera atrasos constantes nas entregas e provoca um desgaste prematuro na frota de veículos.
Além do tempo perdido no trânsito, a baixa qualidade do pavimento asfáltico gera prejuízos diretos no consumo de combustível.
Segundo estimativas da CNT citadas no diagnóstico, as más condições das pistas em Pernambuco causaram um desperdício de 32,4 milhões de litros de diesel.
Essa queima extra de combustível representou uma perda financeira de R$ 191,55 milhões às empresas e a emissão adicional de 84,22 mil toneladas de gases de efeito estufa.
Arco Metropolitano é apontado como a principal saída
Para o setor de logística, a principal solução para destravar o trânsito metropolitano é a implantação do Arco Metropolitano, um projeto de rodovia duplicada com cerca de 95 quilômetros de extensão.
A nova rodovia ligará o norte e o sul da Região Metropolitana de Recife, cortando os municípios de Itapissuma, Araçoiaba, Paudalho, São Lourenço da Mata e Moreno.
O objetivo do Arco é retirar o tráfego pesado de cargas do contorno urbano da BR-101 e destravar o acesso terrestre ao Porto de Suape.
Em 2026, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e o Governo do Estado formalizaram cooperação para os projetos do trecho de 20,2 km entre a BR-408 e a BR-232.
Investimentos tentam reduzir passivo das rodovias
Para mitigar a deterioração da malha asfáltica, o governo estadual lançou o programa PE na Estrada em outubro de 2024, prevendo um orçamento inicial de R$ 5,1 bilhões.
Até março de 2026, o balanço das obras entregues ou em andamento somava R$ 4,6 bilhões, com mais de 1.500 quilômetros de rodovias recuperados.
O programa PE na Estrada contempla intervenções em rodovias estaduais estruturantes, trechos da BR-104 e o andamento do segmento sul do próprio projeto do Arco Metropolitano.
*Os dados jornalísticos desta matéria foram obtidos a partir do estudo técnico Diagnóstico Competitivo da Logística de Pernambuco 2026, elaborado pela CEPLAN Consultoria Econômica e Planejamento e pela Feira Multimodal Nordeste.