Dia dos Pais deve movimentar R$ 226,5 milhões no comércio de PE, abaixo do registrado em 2025
Levantamento da Fecomércio-PE aponta retração real de 3,6% na data em 2026, refletindo o cenário de crédito mais restritivo enfrentado pelas famílias
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O Dia dos Pais deve movimentar cerca de R$ 226,5 milhões no comércio pernambucano em 2026. A estimativa é do Hub do Comércio da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Pernambuco (Fecomércio-PE) e considera apenas o impacto da data sobre o varejo estadual.
O valor projetado representa uma retração real de 3,6% em relação ao desempenho registrado em 2025. O resultado reflete um comportamento mais cauteloso das famílias pernambucanas em relação ao consumo.
Além do impacto específico do Dia dos Pais, o levantamento estima que a economia de Pernambuco deve movimentar R$ 11,08 bilhões ao longo de agosto. A arrecadação de ICMS no estado deve somar aproximadamente R$ 2,46 bilhões no período.
O estudo usa modelos econométricos alimentados por dados do Banco Central, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da Secretaria da Fazenda de Pernambuco (Sefaz-PE) e da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A metodologia combina séries históricas de arrecadação de ICMS, transações via PIX, atividade econômica regional, indicadores de crédito e pesquisas de intenção de consumo.
O presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac Pernambuco, Bernardo Peixoto, avalia que o Dia dos Pais mantém posição estratégica para o comércio, mesmo diante de um cenário mais desafiador para o consumo.
"O Dia dos Pais abre o ciclo das principais datas comerciais do segundo semestre e continua sendo uma grande oportunidade para diversos segmentos do varejo. Mesmo diante de um cenário de maior restrição ao consumo, a data mantém capacidade de estimular as vendas e contribuir para a atividade econômica em Pernambuco. O planejamento das empresas com as estratégias comerciais adequadas pode favorecer o desempenho dos negócios", afirma Peixoto.
O estudo aponta que a expectativa de retração nas vendas está diretamente relacionada às condições de crédito enfrentadas pelas famílias. Entre as variáveis analisadas, a atividade econômica regional exerce influência positiva sobre a movimentação do comércio. Já o avanço da inadimplência das pessoas físicas tem efeito contrário e reduz o potencial de consumo para a data.
Para o economista da Fecomércio-PE, Rafael Lima, os indicadores confirmam que a evolução do ambiente econômico segue determinante para o comportamento do consumidor.
"As projeções apontam que a atividade econômica e a inadimplência das pessoas físicas são os fatores que mais explicam a movimentação do comércio. À medida que cresce a restrição ao crédito, parte das famílias reduz ou adia gastos, o que contribui para uma expectativa de movimentação inferior à registrada no ano passado. Embora o cenário projetado indique retração em relação ao ano anterior, a data permanece entre as mais relevantes do varejo nacional, especialmente para segmentos como vestuário, calçados, perfumaria, eletroeletrônicos, acessórios e artigos de uso pessoal", diz Lima.