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'O brasileiro tem de pensar duas vezes antes de usar o cartão de crédito', diz ministro da Fazenda

Dario Durigan e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, falaram sobre o endividamento da família brasileira, principalmente após a pandemia

Por Filipe Farias Publicado em 24/07/2026 às 17:06 | Atualizado em 24/07/2026 às 17:09

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Com o Brasil atingindo, em 2026, o maior índice de endividamento das famílias desde o início da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), o cenário vai além do consumo e já afeta diretamente o crescimento econômico, o mercado de trabalho e a capacidade de investimento das famílias brasileiras. De acordo com o levantamento feito pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 80,9% das famílias brasileiras declararam possuir algum tipo de dívida.

O aumento do comprometimento da renda das famílias também acendeu um alerta sobre os impactos econômicos e sociais do superendividamento no Brasil. "A gente deveria pensar em como usar a nossa inteligência financeira de País para fazer estímulo ou desestímulo para tomada de crédito ruim. Temos uma série de créditos que são bons. O brasileiro tem de pensar duas vezes antes de usar o cartão de crédito... Sendo que, por exemplo, pode fazer um consignado que é um crédito bom. E por que é um crédito bom? Porque ele tem garantia e ele vem, via de regra, com juros mais baixos. Nós temos que defender é o pagamento do crédito. Eu não quero defender inadimplente", declarou Dario Durigan, ministro da Fazenda, durante participação na Expert XP.

"Quando a gente estratifica o que está impactando na vida da família brasileira, percebemos que o cartão de crédito é o principal elemento. Então, sabendo disso, temos de desestimular a utilização desse crédito ruim", complementou Durigan.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também enxerga que o cartão de crédito tem sido o principal vilão para o endividamento da família brasileira, principalmente após a pandemia da covid-19, quando muitas pessoas perderam postos de trabalho.

"A gente percebe que o endividamento maior e o problema maior está relacionado com aquele tipo de crédito que não tem nenhum tipo de garantia, o rotativo, o cartão de crédito. É esse nível de endividamento que se concentra o problema maior. A maior parte dos países, a partir da Covid, a partir da pandemia, houve um aumento da utilização do cartão de crédito bastante elevado. E ele faz algum sentido. Se você tem uma queda da renda com a pandemia e você tem juros muito mais baixo, é normal que cada cidadão tenha buscado complementar a sua renda, defender o seu poder de consumo utilizando um cartão de crédito, por exemplo, para fazer suas compras", apontou Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, na Expert XP.

Reginaldo Martins / divulgação
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, participou da Expert XP - Reginaldo Martins / divulgação
 

Entretanto, segundo Galípolo, a situação do Brasil acaba sendo singular. "O endividamento no Brasil foi potencializado pela inclusão financeira que o Pix proporcionou. Você tem 60 milhões de pessoas que não tinham conta bancária e passaram a se 'bancarizar'. E, ao se 'bancarizarem', passam a ser clientes potenciais, inclusive do cartão de crédito. E aí a gente percebe que tem uma tendência bastante particular no Brasil, diferente de outros casos do que se esperaria na literatura convencional, em que o cidadão foi migrando de um crédito de melhor qualidade para crédito de pior qualidade. Esse é o cidadão que entrou diretamente no cartão de crédito, a dívida foi crescendo pelo nível de taxa de juros... E, com um volume de dívida grande, com juros alto, isso acaba gerando uma bola de neve", detalhou.

* O repórter viajou a convite da XP

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Filipe Farias

Twitter: @_filipefarias

Repórter do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC)