Morre Alan Greenspan, ex-presidente do Federal Reserve, aos 100 anos
Recentemente, ele se somou a outros ex-presidentes do Fed, como Janet Yellen e Ben Bernanke, para assinar uma carta em defesa da autonomia
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O economista Alan Greenspan, que comandou o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, por quase 19 anos, morreu nesta segunda-feira (22), aos 100 anos. A informação foi confirmada por sua esposa, a jornalista Andrea Mitchell, que relatou que o falecimento ocorreu em casa, em decorrência de complicações da doença de Parkinson.
Figura central na história da economia mundial, Greenspan liderou o banco central americano durante cinco mandatos consecutivos, servindo sob quatro presidentes dos Estados Unidos: Ronald Reagan, George H. W. Bush, Bill Clinton e George W. Bush. Sua trajetória à frente da instituição foi marcada pela condução de políticas monetárias estratégicas, enfrentando desafios como a queda histórica das bolsas em 1987, conhecida como a "segunda-feira negra", o estouro da bolha das empresas de tecnologia no início dos anos 2000 e os impactos globais dos ataques de 11 de setembro.
Nascido em 1926, em Nova York, Greenspan construiu uma carreira influente que transitou pelo setor privado e pelo serviço público antes de assumir o Fed em 1987. Sua gestão foi amplamente associada a um longo período de crescimento econômico e estabilidade, mas não esteve isenta de polêmicas. Após deixar o comando da instituição em 2006, sua defesa persistente pela autorregulação do mercado financeiro tornou-se alvo de críticas severas, com especialistas apontando que a flexibilização das normas contribuiu para o colapso imobiliário que desencadeou a crise financeira global de 2007 e 2008.
Mesmo após sua saída, Greenspan permaneceu como uma voz ativa e respeitada nos debates econômicos. Recentemente, ele se somou a outros ex-presidentes do Fed, como Janet Yellen e Ben Bernanke, para assinar uma carta em defesa da autonomia e da independência do banco central, posicionando-se contra pressões políticas que, segundo o grupo, colocam em risco a credibilidade da instituição e a estabilidade da economia americana. Ele deixa um legado complexo, sendo lembrado tanto por sua habilidade em navegar turbulências econômicas quanto pelo impacto duradouro de suas visões sobre o mercado financeiro.