Pernambuco vai sediar a primeira termelétrica a etanol em larga escala do mundo
Usina Suape II, da Savana Holding com participação da Petrobras, promete reduzir emissões em 90% e pode abastecer 2 milhões de famílias
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Pernambuco vai receber um investimento de R$ 60 milhões para abrigar o que pode ser a resposta brasileira à crise global de energia. A Usina Suape II, no Cabo de Santo Agostinho, será a primeira termelétrica de larga escala movida a etanol do mundo, com capacidade instalada de 4 MW por meio do primeiro motogerador a etanol de médio porte do planeta. O projeto ganha ainda mais relevância diante do agravamento do conflito no Irã e do bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, que expõem a diante do agravamento do conflito no Irã e do bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, que expõem a vulnerabilidade de países dependentes do petróleo.
Dependência do petróleo
Liderado pela Savana Holding em parceria com a multinacional finlandesa Wärtsilä, o empreendimento também conta com a Petrobras como sócia, detentora de 20% do projeto e participante de todos os testes com envolvimento dos centros de pesquisa e desenvolvimento da estatal.
O projeto-piloto é apenas o ponto de partida. Após os testes técnicos confirmarem a performance e a confiabilidade do motogerador, a Savana pretende ampliar a capacidade para pelo menos 600 MW, suficiente para abastecer mais de 2 milhões de famílias, com energia conectada ao Sistema Interligado Nacional. O foco a longo prazo é montar uma planta de pelo menos 100 MW inteiramente movida a etanol.
90% menos emissões
No plano ambiental, os números são expressivos. Segundo a Suape Energia, responsável pela execução, a termelétrica a etanol reduz as emissões de CO? em até 90% em comparação ao diesel. O CTO José Faustino explica que, enquanto um motor a diesel converte entre 46% e 48% da energia do combustível em eletricidade, o motor a etanol opera entre 39% e 40% de eficiência, mas com apenas 10% das emissões de CO?
As emissões de NOx e material particulado também são significativamente menores, e o projeto se alinha às metas climáticas do Brasil para 2035, que visam reduzir entre 59% e 67% dos gases de efeito estufa em relação a 2005.
Resposta à volatilidade do petróleo
Para o CTO da Suape Energia, José Faustino, o momento geopolítico reforça o peso da iniciativa. "Para além de ser uma resposta estratégica à volatilidade dos combustíveis fósseis, o projeto se posiciona como um marco tecnológico e econômico para o setor. A expectativa é que a operação plena da usina Suape II impulsione o desenvolvimento regional, fomentando diretamente a cadeia produtiva do agronegócio nacional", afirma.
Dessa forma, a iniciativa consolida o potencial do Brasil não apenas de proteger e estabilizar o seu sistema elétrico, mas de assumir um papel de liderança global na transição para uma matriz energética verdadeiramente limpa e renovável.
O projeto aproveita a cadeia de suprimento de etanol já consolidada no Brasil, reduz a dependência de importações, fortalece a economia local e cria oportunidades de emprego. Atualmente, o motor passa por análises de performance e confiabilidade, com previsão de operação plena no segundo semestre de 2026.