Mais de 80% das famílias do Recife fecham abril endividadas
A parcela de lares com contas em atraso subiu para 27,4% em abril, um avanço em relação aos 26,8% registrados no mês iemdiatamente anterior
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O endividamento das famílias na capital pernambucana voltou a crescer no mês de abril de 2026, atingindo o patamar de 81,2%. O índice supera os 80,9% registrados em março e os 79,6% observados no mesmo período do ano passado. Em termos absolutos, aproximadamente 475,5 mil famílias recifenses relataram possuir algum tipo de débito no período. Os dados constam na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), produzida pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e analisada localmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Pernambuco (Fecomércio-PE).
A escalada dos indicadores também se refletiu na inadimplência. A parcela de lares com contas em atraso subiu para 27,4% em abril, um avanço em relação aos 26,8% do mês anterior e aos 25,4% apurados em abril de 2025. Outro dado que acende o alerta econômico é o percentual de famílias que declararam não ter condições financeiras de quitar suas dívidas vencidas, que alcançou 16,8%, consolidando uma tendência de alta no comparativo anual.
CARTÃO DE CRÉDITO SEGUE VILÃO
O cartão de crédito se manteve isolado como a principal ferramenta de endividamento da população, sendo mencionado por 89,1% dos entrevistados que possuem dívidas. Os carnês de lojas físicas e virtuais aparecem na segunda posição, com 23,9%, seguidos pelos financiamentos de veículos, que somam 5,9%. Conforme o levantamento, o comprometimento médio do orçamento dos recifenses com o pagamento dessas obrigações financeiras estabilizou-se em 30,1% da renda familiar mensal.
O presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac-PE, Bernardo Peixoto, destacou que o cenário atual impõe cautela sobre o poder de compra da população local. Ele avaliou que, embora o crédito siga integrado ao cotidiano do consumidor — majoritariamente por meio do dinheiro plástico —, o avanço do atraso no pagamento das parcelas sinaliza que o orçamento doméstico está sob forte pressão.
CONTAS VENCIDAS
O estudo detalhou ainda o perfil do atraso na capital: 54% das famílias inadimplentes convivem com contas vencidas há mais de 90 dias, e o tempo médio global de atraso nos pagamentos foi estimado em 70 dias. De acordo com o economista da Fecomércio-PE, Rafael Lima, os números indicam uma dualidade, em que o crédito é utilizado tanto para manter o padrão de consumo quanto para tentar reorganizar as finanças. No entanto, o economista pondera que a combinação de inadimplência crescente com a incapacidade de pagamento revela um cenário de restrição financeira severa, que penaliza sobretudo as faixas de menor renda.