Frente da Transnordestina debate entraves e retomada das obras em Pernambuco
Projeto feito para integrar o interior ao litoral e reduzir custos logísticos no escoamento de grãos e minérios, atravessa décadas de paralisação
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A Frente Parlamentar em Defesa da Ferrovia Transnordestina da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) realizou, nesta segunda-feira (13), uma reunião para debater os gargalos e as perspectivas de retomada de um dos maiores projetos de infraestrutura do Nordeste. O encontro focou na necessidade de acelerar o trecho pernambucano, que liga Salgueiro ao Porto de Suape, e nas complexas questões sociais e ambientais que envolvem a obra.
O projeto, idealizado para integrar o interior ao litoral e reduzir custos logísticos no escoamento de grãos e minérios, atravessa décadas de paralisação. Iniciada nos anos 2000, a ferrovia enfrentou uma sucessão de problemas financeiros, entraves no licenciamento ambiental e questões fundiárias, culminando na devolução da concessão pela antiga operadora, a TSLA, em 2022. O deputado João Paulo (PT), coordenador da Frente, enfatizou que a conclusão da via até Suape não é apenas um avanço logístico, mas uma transformação estrutural capaz de gerar emprego, renda e justiça territorial para Pernambuco.
RETOMADA DAS OBRAS
O atual cenário de retomada ganhou fôlego em 2025, quando o Governo Federal iniciou a licitação via Novo PAC, com um aporte inicial de aproximadamente R$ 450 milhões. A estatal Infra S.A. assumiu a responsabilidade pelos 544 quilômetros do trecho pernambucano. André Ludolfo, representante da estatal, informou que apenas 38% das obras desse segmento foram executadas pela concessionária anterior. O modelo atual prevê a divisão da ferrovia em múltiplos lotes para agilizar a construção, com a expectativa de que todos os editais de licitação avancem até 2026.
Apesar do otimismo institucional, o debate expôs disparidades regionais e críticas políticas. O ex-prefeito de Bonito, Laércio Queiroz, alertou para a discrepância entre o avanço das obras no Ceará e a lentidão em Pernambuco, onde a previsão de funcionamento aponta apenas para 2030. Bruno Veloso, presidente da Fiepe, reforçou que decisões políticas anteriores priorizaram outros destinos, o que teria enfraquecido o potencial do Complexo de Suape. No mesmo sentido, o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, defendeu uma união política suprapartidária para recuperar o tempo perdido após o enfraquecimento do sistema ferroviário nacional.
IMPACTO LOCAL
A dimensão humana e ambiental do projeto também ocupou o centro das discussões. Líderes de comunidades afetadas, como Marinalva Maria, do Quilombo Ilha de Mercês, e representantes de associações do Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca, relataram perdas significativas nos meios de subsistência tradicionais. O temor é que a continuidade das obras e o futuro transporte de minérios agravem os danos aos manguezais e provoquem desapropriações sem o devido diálogo. Como encaminhamento, o deputado João Paulo anunciou que solicitará à governadora Raquel Lyra a criação de um grupo de trabalho específico para monitorar de perto os impactos e o progresso da ferrovia.