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Custo da cesta básica sobe em todas as capitais e pressiona renda do trabalhador

Chuvas elevam preços; alta atinge 27 capitais e chega a 6,97% no Recife, consumindo quase metade do salário mínimo

Por JC Publicado em 09/04/2026 às 10:50

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Impulsionado pelos efeitos das chuvas nas principais regiões produtoras, o custo da cesta básica subiu nas 27 capitais brasileiras, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A alta pressiona o orçamento e já compromete mais de 48% da renda de quem recebe salário mínimo.

De acordo com o estudo, São Paulo segue com a cesta mais cara do país, ao custo de R$ 883,94, enquanto Aracaju registra o menor valor, com média de R$ 598,45. Entre as capitais com maiores aumentos percentuais estão Manaus (7,42%), Salvador (7,15%) e Recife (6,97%).

Alimentos afetados diretamente 

O avanço dos preços foi puxado principalmente por itens essenciais como feijão, batata e tomate, diretamente afetados pelo excesso de chuvas, que prejudicou a colheita e reduziu a oferta. Também registraram alta a carne bovina e o leite. Em sentido oposto, o açúcar teve queda em 19 cidades, influenciado pelo aumento da oferta.

Em março, o trabalhador que recebe salário mínimo precisou, em média, de 97 horas e 55 minutos de trabalho para adquirir a cesta básica – mais do que em fevereiro. Ainda assim, na comparação com o mesmo período de 2025, houve redução.

Considerando o salário mínimo de R$ 1.621, o custo dos alimentos básicos comprometeu, em média, 48,12% da renda líquida nas capitais pesquisadas.

No acumulado de 12 meses, houve aumento no valor da cesta em 13 capitais, com destaque para Aracaju (5,09%), Salvador (4,51%) e Recife (4,38%). Já Brasília (-4,63%) e Florianópolis (-0,91%) registraram queda.

Impacto da produção

O feijão foi um dos principais responsáveis pela alta, com aumento em todas as capitais. A elevação está ligada à menor oferta, causada por dificuldades na colheita, redução da área plantada e problemas climáticos em estados produtores como Paraná e Bahia.

Especialistas apontam que, apesar da alta nos preços, a produção foi prejudicada, o que reduz o ganho dos agricultores. A expectativa é de oscilações ao longo do ano, com possível mudança no comportamento dos preços entre diferentes tipos do grão.

O levantamento também estima que o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.425,99 – o equivalente a 4,58 vezes o piso atual.

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