Consumo das famílias recifenses volta ao patamar de otimismo após 10 meses
Índice superou a marca dos 100 pontos no mês de fevereiro, impulsionado pela melhora no mercado de trabalho e maior acesso ao crédito
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Após quase um ano de retração, o ânimo dos consumidores no Recife voltou a subir. Em fevereiro de 2026, o Índice de Consumo das Famílias (ICF) atingiu 101,6 pontos, representando uma alta de 2% em relação a janeiro. O resultado é simbólico: ao ultrapassar a barreira dos 100 pontos, o indicador migra da zona de pessimismo para a de otimismo pela primeira vez em dez meses.
Os dados foram apurados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Pernambuco (Fecomércio-PE), com base em levantamento da Confederação Nacional do Comércio (CNC).
A retomada da confiança está ancorada em dois pilares principais: renda e crédito. O componente de "Nível de Consumo Atual" foi o grande destaque do mês, com um salto de 6,9%. Paralelamente, o acesso ao crédito registrou um avanço de 1,2%.
Essa melhora é um reflexo direto dos números do emprego. De acordo com o IBGE, a taxa de desocupação em Pernambuco fechou o quarto trimestre de 2025 em 8,8%. Com mais pessoas ocupadas, a massa de renda disponível cresce, facilitando tanto as compras à vista quanto a capacidade de assumir financiamentos.
"O índice acima de 100 pontos sinaliza uma disposição renovada para o consumo, especialmente quando vemos essa conexão direta com a melhora no mercado de trabalho", afirma Bernardo Peixoto, presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac PE.
Mudança de tendência
A recuperação encerra um ciclo negativo que se estendia desde o segundo semestre do ano passado. Segundo o economista da Fecomércio-PE, Rafael Lima, o ICF acumulava quedas sucessivas desde agosto de 2025, começando a reagir apenas no início deste ano.
Um dado relevante para o setor produtivo é que esse crescimento está concentrado na população de menor renda. "Para os empresários, o cenário indica uma melhora real no ambiente de negócios. A perspectiva positiva para os próximos meses reforça essa sinalização de que o pior já passou", pontua Lima.