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Reforma Tributária entra em fase decisiva em 2026 e exige adequação de sistemas das empresas

Especialistas alertam que 2026 já exige ajustes fiscais e sistêmicos, apesar da transição definitiva do novo modelo ocorrer até 2033

Por Eduardo Scofi Publicado em 23/02/2026 às 12:06

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Com o início da fase operacional da Reforma Tributária em 2026, empresas de todos os setores precisam ajustar sistemas fiscais, contábeis e de gestão ao novo modelo de tributação.

Embora a substituição definitiva de tributos como ICMS, ISS, PIS e Cofins pelo IBS e pela CBS esteja prevista para ser concluída apenas em 2033, especialistas apontam que a adaptação prática deve ocorrer já neste ano.

Período é considerado estratégico

O período é considerado estratégico para testes e ajustes, mas as novas regras já passam a produzir efeitos na emissão de documentos fiscais, na apuração de créditos e na forma de registro das operações.

Segundo tributaristas, erros nessa etapa podem gerar inconsistências sistêmicas, perda de créditos e formação de passivos que só se tornam visíveis anos depois, acrescidos de multas e juros.

A advogada tributarista Júlia Clariane afirma que o novo modelo reduz a margem para correções posteriores, uma vez que se baseia em dados padronizados e cruzamentos eletrônicos.

De acordo com ela, embora 2026 seja formalmente tratado como ano de testes, a fase será utilizada pela administração tributária para validar cadastros, calibrar alíquotas e mapear inconsistências setoriais.

“O novo modelo reduz significativamente o espaço para correções manuais ou ajustes interpretativos posteriores, pois se baseia em dados padronizados e cruzamentos automáticos. Um erro sistêmico, nesse contexto, tende a se reproduzir em larga escala”, informa Clariane.

Empresas não têm se adaptado 

Segundo uma pesquisa realizada pela V360 e veiculada pela Agência Brasil, 72% das empresas ainda não estão preparadas para cumprir as novas exigências da reforma tributária.

Do total de entrevistadas, 33,2% sequer iniciaram discussões internas sobre o tema e 38,6% estão apenas em fase preliminar de avaliação. Apenas 28,1% afirmaram possuir plano estruturado para adequação.

Em Pernambuco, um exemplo de empresa que já concluiu o processo de adaptação é a indústria alimentícia Tambaú Alimentos.

De acordo com a direção, a antecipação buscou assegurar conformidade com as novas normas e evitar interrupções na emissão de notas fiscais.

“Toda a adequação envolveu o setor de contabilidade, fiscal, comercial e TI. Foi um desafio muito grande porque não é fácil uma mudança tão grande como essa”, informa o presidente da Tambaú, Hugo Gonçalves.

O que os especialistas recomendam?

Nesse contexto, é recomendado que as empresas revisem cadastros de produtos e serviços, ajustem sistemas de ERP e estruturas fiscais à lógica do crédito financeiro amplo, além de simular impactos em preços e margens.

A qualificação de equipes e a revisão de processos internos também são apontadas como medidas necessárias para reduzir riscos.

Especialistas destacam que a Reforma Tributária representa não apenas a substituição de tributos, mas uma mudança estrutural na lógica de incidência e creditamento. A convivência com o novo sistema ao longo do período de transição exigirá monitoramento contínuo até a consolidação do modelo, prevista para 2033.

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