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BC decreta liquidação extrajudicial da Will Financeira, controlada pelo Banco Master

Instituição integrava o conglomerado Master e teve bens de controladores e ex-administradores tornados indisponíveis

Por Agência Brasil Publicado em 21/01/2026 às 11:09

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O Banco Central decretou, nesta quarta-feira (21), a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, instituição controlada pelo Banco Master.

A decisão ocorre após o BC concluir que não havia mais condições de preservar o funcionamento da financeira, diante do agravamento da sua situação econômico-financeira.

A Will Financeira integrava o conglomerado liderado pelo Banco Master, que já havia sido liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025.

Desde então, o Master operava sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET), medida adotada quando a autoridade monetária identifica risco relevante ao sistema financeiro, mas ainda vislumbra uma possível solução de continuidade.

Com a decretação da liquidação, o BC determinou, entre outras medidas, a indisponibilidade dos bens dos controladores e dos ex-administradores da Will Financeira, que passa a ter suas operações encerradas de forma definitiva.

Por que o BC decidiu liquidar

Segundo o Banco Central, no momento em que a liquidação do Banco Master foi decretada, optou-se por impor o RAET à sua controlada justamente pela expectativa de que fosse possível preservar o funcionamento da Will Financeira.

“Entendeu-se adequada e aderente ao interesse público a imposição do RAET, ante a possibilidade de uma solução que preservasse o funcionamento de sua controlada”, justificou a autarquia.

Essa alternativa, no entanto, foi descartada após a constatação de um fato considerado crítico. No dia 19 de janeiro, a Will Financeira descumpriu a grade de pagamentos junto ao arranjo Mastercard Brasil Soluções de Pagamentos, o que resultou no bloqueio de sua participação no sistema. Para o BC, o episódio evidenciou o comprometimento definitivo da instituição.

Diante desse cenário, a autoridade monetária avaliou como inevitável a liquidação extrajudicial, citando a insolvência da Will Financeira, o agravamento de sua situação econômico-financeira e o vínculo de interesse decorrente do controle exercido pelo Banco Master.

De acordo com dados do Banco Central, o conglomerado liderado pelo Banco Master detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Embora a participação seja considerada pequena em termos sistêmicos, o caso ganhou grande repercussão pelo volume de recursos envolvidos e pela complexidade das operações investigadas.

Entenda o caso Banco Master

Controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, o Banco Master registrou um crescimento acelerado ao oferecer Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rentabilidade muito acima da média do mercado.

Para sustentar esse modelo, segundo investigações e relatórios oficiais, o banco passou a assumir riscos excessivos e a estruturar operações que inflavam artificialmente seu balanço, enquanto a liquidez efetiva se deteriorava.

As apurações do Banco Central e investigações da Polícia Federal indicam que o colapso do Master não se limitou a problemas financeiros, mas envolveu também falhas institucionais.

A conexão com a gestora Reag Investimentos, a tentativa de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB) e pressões sobre órgãos de controle transformaram o caso em um episódio de grande impacto sobre investidores e sobre a credibilidade do sistema financeiro.

Entre 2023 e 2024, o Master teria desviado cerca de R$ 11,5 bilhões por meio de operações de triangulação financeira. Nesse esquema, o banco emprestava recursos a empresas consideradas de fachada, que aplicavam os valores em fundos geridos pela Reag Investimentos.

Esses fundos, por sua vez, adquiriam ativos de baixo ou nenhum valor real – como certificados do extinto Banco Estadual de Santa Catarina (Besc) – por preços artificialmente inflados.

O Banco Central identificou ao menos seis fundos da Reag sob suspeita, com patrimônio conjunto estimado em R$ 102,4 bilhões, valores que circulavam entre estruturas ligadas aos mesmos intermediários até alcançar os beneficiários finais.

Com a liquidação da Will Financeira, o Banco Central avança em mais uma etapa do processo de desmonte do conglomerado Master, considerado um dos casos mais complexos e sensíveis do sistema financeiro brasileiro nos últimos anos.

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