Economia | Notícia

Aprovação do acordo Mercosul-União Europeia é celebrada por lideranças da indústria, comércio e serviços

Após mais de 25 anos de negociações, o tratado é visto como um marco histórico capaz de redesenhar os fluxos de investimento entre os continentes

Por JC Publicado em 09/01/2026 às 18:15

Clique aqui e escute a matéria

Aprovação do Acordo Mercosul-União Europeia é Celebrada por Lideranças da Indústria, Comércio e Serviços
A aprovação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, consolidada nesta sexta-feira (9) em Bruxelas, foi recebida com entusiasmo pelas principais entidades representativas do setor produtivo brasileiro. Após mais de 25 anos de negociações, o tratado é visto como um marco histórico capaz de redesenhar os fluxos de investimento e ampliar a competitividade do Brasil no cenário global, integrando mercados que, juntos, somam uma população superior a 700 milhões de pessoas e um PIB combinado que ultrapassa os US$ 20 trilhões.

CACB: vitória da diplomacia e diversificação de mercados

Para a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), o desfecho das negociações representa uma conquista estratégica para a economia nacional. O presidente da entidade, Alfredo Cotait Neto, classifica o acordo como uma vitória conjunta da diplomacia e do setor produtivo. Segundo ele, a parceria é essencial para que o Brasil possa diversificar e expandir suas vendas ao exterior, fortalecendo-se diante dos desafios de um comércio internacional cada vez mais competitivo. A CACB projeta que a eliminação de tarifas bilaterais não apenas impulsionará as exportações, mas também facilitará o acesso a produtos europeus com preços mais baixos e atrairá novos investimentos para todo o bloco sul-americano.

CNC: modernização e integração de cadeias globais

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) manifestou seu apoio institucional, ressaltando que o acordo marca o início de uma nova era de modernização para o país. José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, enfatiza que a integração com o mercado europeu permitirá a inserção do Brasil em cadeias globais de valor, elemento fundamental para que os setores de comércio e serviços continuem sendo motores de desenvolvimento. A entidade, que atua ativamente na promoção deste diálogo desde 2018, destaca que o tratado traz maior segurança jurídica e surge como um contraponto necessário ao cenário global de protecionismos, reduzindo barreiras técnicas e estimulando o turismo e a inovação.

CNI: impulso industrial e sustentabilidade

Pelo lado da indústria, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) vê na aprovação um passo decisivo para a inserção internacional e o fortalecimento da manufatura nacional. O presidente da CNI, Ricardo Alban, destaca que o acordo cria as condições políticas para avançar rumo à implementação definitiva, o que deve traduzir-se em oportunidades concretas de emprego e renda. Dados da entidade indicam que, em 2024, cada R$ 1 bilhão exportado para a União Europeia gerou quase 22 mil postos de trabalho no Brasil. Além do impacto econômico direto, a CNI ressalta o potencial de cooperação técnica em tecnologias de baixo carbono e a proteção de indicações geográficas de produtos brasileiros, como café e queijos, no exigente mercado europeu.

Apesar da celebração, as três entidades concordam que o trabalho ainda não terminou. O foco agora se volta para as próximas etapas de assinatura, ratificação pelos parlamentos e implementação efetiva, processos que exigirão diálogo contínuo entre os governos e a sociedade civil para que os benefícios previstos sejam plenamente convertidos em crescimento sustentável para a região.

 
 

Compartilhe

Tags